Luiz de Aquino Alves Neto

Canudo (Não) É Tudo! 

Sarney merece tratamento de majestade? Lula ainda não aprendeu a “liturgia do cargo”. Como fica a segurança pública em Goiás, com essa greve da Polícia Civil? Supremo extingue a exigência do diploma universitário para jornalistas. Segurados do Ipasgo na marginalidade... Tanto tema para uma só crônica! Ando com saudade do tempo em que era editor geral.

O presidente Lula, de lá onde estava, disse que Sarney “não é uma pessoa comum”. Não é mesmo! E pensar que, por um tempo, acreditávamos que o escroque era Toninho Malvadeza, o ACM. Hoje, e não é por ter morrido, ele parece administrador regional diante do cacique maranhense, amapaense etc. (dizem que é ele quem comanda Roraima, onde estabeleceu um preposto, o senador Jucá). Nesse ato, Luiz Inácio usurpou o papel de algum assessor de Sarney. Mais apropriadamente, um jornalista; com isso, Lula tornou-se o primeiro beneficiário da decisão do Supremo Tribunal Federal de dispensar o diploma para o exercício da profissão.

Jornalista (penso que diplomado) Alexandre Garcia falou por quase toda a Nação, no “Bom dia, Brasil” da TV Globo neste 23 de junho (justo quando nascia minha sobrinha-neta Sofia; parabéns, Leda e Gustavo!). O apresentador dizia, com suas palavras, que Sarney devia ser o primeiro a tratar-se como pessoa especial não cometendo atos que comprometem sua biografia de ex-presidente (da República, do Senado algumas vezes e de boa parte do Norte-Nordeste).

Em Goiás, a Policia Civil (de apenas três mil e quinhentos membros) faz greve. Falta tudo – salário digno, armas, munição, delegados, escrivães, agentes, viaturas, combustíveis etc. e tal). Apegamo-nos à PM, que tem mostrado eficiência e, justamente por isso, inverte opiniões (há alguns anos, falava-se em acabar com as policias militares; hoje, parece, os governos estaduais acabam com suas policias civis).

Médicos de Goiânia credenciados no Ipasgo não conseguem atender os segurados do instituto estadual porque algumas clínicas e hospitais não aceitam a promiscuidade dos funcionários rasos com poderosos que pagam , em média, trezentos reais por consulta. Alguém responde por isso? Olhem, não é culpa dos médicos, mas dos donos e dirigentes de clínicas.

Falando em dirigentes, volto aos jornalistas. No blog do jornalista (formado) e excelente músico Amauri Garcia encontro essa frase:

Você faria quatro anos de um curso cujo diploma não tem o menor valor no mercado? Qual será o significado do diploma de jornalista, senão um valor sentimental?

Ah, eu faria, sim! Nenhuma escola de Administração se fechou no país. A profissão de administrador é regulamentada, os profissionais têm conselhos federal e regionais, e inúmeros são os executivos de várias formações acadêmicas a administrar empresas e departamentos (muitos sequer têm formação superior alguma). A não exigência do diploma, penso eu, garantirá a permanência (já consagrada) de articulistas  que se dedicam a temas específicos. Um jornalista articulista, ou mesmo cronista, costuma abranger uma gama sem limite, abordando vários assuntos.

Mesmo com a exigência da formação específica pouco após 1964, muitos são os jornalistas sem diploma específico. Acredito (e o bom senso induz a isso) que os veículos e empresas de comunicação tendem a buscar os melhores, e cabe agora aos diplomados demonstrarem que são melhores. Acho que isso já vem acontecendo (apesar de uma boa parcela dos formados escorarem apenas no canudo, deixando de lado os conhecimentos gerais, o domínio da Língua Portuguesa e da escrita, a boa pronúncia etc.).

Portanto, sejam bons profissionais e continuem estudando. Só o diploma ainda é muito pouco. Exercitem a escrita, leiam muito, conheçam de arte e literatura, de música e teatro (parece que jornalistas acadêmicos só gostam de cinema), de esporte e de leis (Constituição, Código Penal, Código Civil etc.) e saibam conversar, escrever e, principalmente perguntar, porque uma jovem repórter de campo, num segmento esportivo de tevê, esclareceu com muita propriedade: “Atletas só respondem tudo igual porque os repórteres perguntam tudo igual”.

Poxa, aprendi bem com aquela menina, certamente recém formada! Pena que não vi seu nome (falha do diretor de imagens, certamente; vai ver, não é formado).

Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras.

http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com

poetaluizdeaquino@gmail.com

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