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Da Lei, Do Pecado E Da Poesia O dia 14 de março é festivo para a Literatura Brasileira. É aniversário de Castro Alves (1847/74) e, por isso, foi instituído Dia Nacional da Poesia. Quem me lê sabe que, todos os anos, evoco a referência nacional ao vate baiano, que tenho na conta de principal mentor da abolição da escravatura em nossa terra. Mas, para nossa maior alegria, há alguns anos a Unesco instituiu o dia 21 de março como Dia Internacional da Poesia. Com isso, os poetas brasileiros festejam a Poesia por uma semana inteira, de 14 a 21 de março. Mas, este ano, chegamos à data com algumas pulgas na orelha. Falo dos fatos complicados no segmento policial. E os fatos policiais estão se espalhando por campos muito mais amplos do que imaginávamos há poucos anos. É que a facilidade de comunicação e a coragem das vítimas em fazer denúncias tornam públicos, de modo negativo, vultos nos quais devíamos confiar, como parentes, médicos e policiais. Em Pernambuco, o arcebispo de Olinda e Recife, ignorando as leis brasileiras, sob o argumento de que “a Lei de Deus é superior à lei dos homens” (concordo plenamente, desde que ele me convença de que a “Lei de Deus” a que se refere não foi escrita por bispos e outros sacerdotes como ele, humanos e cheios de falhas), excomungou os familiares da menina grávida (menos o padrasto estuprador) e alguns médicos, entre estes o ministro da Saúde Valesse a Lei de Talião, o ministro da Saúde condenaria o arcebispo à morte. Mas não é necessário, o ministro Temporão tem consciência de que todos já nascemos condenados a morrer. Do Vaticano, um cardeal que, na hierarquia da Igreja, tem cargo equivalente ao de ministro, referenda a ação do arcebispo. Foi mais um passo atrás, digno de figurar entre a condenação ao uso de preservativos sexuais e a recusa sistemática de se batizarem bebês cujas mães não se casaram sob as leis da Igreja. Um poeta popular, Manezim da Princesa, morador em Brasília, mas filho da Paraíba (e, como tal, excelente cordelista), escreveu: “ I - Peço à musa do improviso / Que me dê inspiração, / Ciência e sabedoria, / Inteligência e razão, / Peço a Deus que me proteja / Para falar de uma igreja / Que comete aberração”. São dez estrofes nesse ritmo cadente e sonoro, em critica bem sustentada, ao modo dos bardos corajosos. E Manezim da Rainha arremata assim o seu canto: “X - E esta quem me contou / Foi Lima do Camarão: / Dom José excomungou / A equipe de plantão, / A família da menina / E o ministro Temporão, / Mas para o estuprador, / Que por certo perdoou, / O arcebispo reservou / A vaga de sacristão”. Pois é! Com tanto caso de pedofilia na Igreja, acertou o poeta Manezim e a outra, Leda(ê) Selma (“Bem mais que estupidez humana”, publicada ontem, 14/03/09, aqui no DM). Terá o bispo poupado o estuprador com o intuito de não esbarrar na própria casa? Luiz de Aquino é poeta e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com. Blog: hhttp://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com. |