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De Vultos e Vulgo, Também Tiroteio em escola, policiais que não sabem atirar (será?), briga à saída da boate, álcool e volante, pedófilos, seqüestros, assaltos, furtos... Estávamos, todos, indignados com as más notícias, essas que causam azia ao presidente Lula. Tanta música ruim, mas tanta música boa; tanto teatro e tanta leitura (ruins e também bons), tanto cinema, tanta tevê... Mas o evento marcante na vida de Goiânia e cercanias foi o reconhecimento público ao nosso primeiro prefeito, o professor Venerando de Freitas Borges. Aquela estátua é um marco, tanto quanto o foi o velho mestre, falecido há exatos 15 anos. Sobra para José Mendonça e Ubirajara Galli, idealizadores desse feito, a incumbência de juntar crônicas e artigos produzidos sobre o fato e enfeixá-los num livro. Não sei como reagiria Venerando a mais uma homenagem. Ele fazia piada com o fato de haver, em Goiânia, nada menos que três ruas e avenidas com seu nome A Secretaria da Educação do Estado fechou uma Escola Venerando de Freitas. Escolas nunca devem se fechar. Prisões, sim, e em dois sentidos: o de impedir fugas e o de desativá-las; mas a última hipótese é utópica, dependeria da proliferação dos educandários, com excelente qualidade de professores, remunerados com dignidade – coisas improváveis ainda entre nós. Gostei de ler o artigo de Batista Custódio (Os vultos e o vulgo, DM de 19/01/09) sobre as homenagens que faltam aos vultos locais. Especialmente no que toca às praças de Goiânia, quase todas sem nomes. Batista listou figuras da nossa história, desde educadores até políticos, passando por profissionais de realce e artistas vários. E o faz em bom momento, pois o prefeito está receptivo a boas idéias, o que não se via por aqui há décadas. Os núcleos urbanos mais antigos e referenciais no Brasil exercem essa prática de homenagear seus vultos. Em Goiás, a timidez nos levava aos heróis dos outros.: quase todo povoado goiano tinha uma Avenida Rio Branco e uma Praça Getúlio Vargas. Assim, Goiás, pobre de nobres do Império, era cheio de endereços com as palavras Barão e Marquês, sem contar a troca imediata de nomes (no tempo da ditadura militar) para homenagear o general de plantão na Presidência da República. Não há muito, o prefeito César Maia (felizmente, despediu-se uns dias antes de Bush, mas foi quase tão nefasto quanto) vetou um projeto da Câmara Municipal do Rio de Janeiro que dava o nome do palhaço Carequinha a uma escola. Motivo? A lei, no município da antiga capital do País, exige que as escolas tenham nomes de educadores, apenas. Ótima lei! Poderíamos repeti-la por aqui... Afinal, em Goiânia um só vereador dá nome a uma escola municipal e a outra estadual, mas o homem nada tinha de educador, nem de envolvimento com a área – tanto que era conhecido com a palavra Besteira posta após seu nome. Em 17 de maio de 2006, escrevi ao secretário Kléber Adorno, da Cultura Municipal (gosto de tê-lo de volta, Kleber!), expondo e sugerindo: "Constatamos, todos nós, que a quase totalidade dos logradouros públicos de Goiânia não têm nomes que homenageiem os vultos da nossa ainda jovem História. São eles pessoas públicas dos mais variados segmentos e carecem de referências que os dignifiquem na memória goianiense. Falo, exclusivamente, dos vultos da cidade, e não do Estado ou do País. A intenção, aqui, é propor a V. Exa. uma iniciativa que resulte em dar nomes de artistas, educadores, políticos – enfim, pessoas de inegável contribuição à consolidação da vida social, cultural, econômica e política da Capital". Fico muito feliz com a proposta de Batista Custódio, não pelo mero fato de se somar, ricamente, ao que sugeri há quase dois anos, de modo reservado, à Municipalidade. Alio-me, pois, por velha convicção, a essa luta. E gostaria de ver ligeiras adaptações, como, por exemplo, que a Escola Deputado José Luciano retifique seu nome para Escola Professor José Luciano. Não por menosprezar ou reduzir a importância do respeitável cargo eletivo que o velho professor exerceu com dedicação, competência e dignidade (eram parcelas de sua personalidade; antes de ser deputado, ele foi também vereador), mas porque o titulo Professor o identifica mais apropriadamente com o ambiente escolar. Falta-nos, aos goianienses, essas medidas. Uma via a que nos referimos como Rua J-17 ou Terceira Avenida tem apenas uma referência dessas que os técnicos aplicam em seus planos e projetos, mas um nome próprio, ainda mais quando imortaliza alguém de relevância comunitária, passa a ser parte íntima da nossa vida. Da nossa história de vida.
Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com |