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Dia De Chorinho. E Lágrimas! Perdi a conta das vezes em que louvei as sextas-feiras, enfocando as noitadas de chorinho na calçada do Grande Hotel. Boa música, excelentes instrumentistas e a chance de encontrarmos velhos amigos dos tempos em que o Grande Hotel era, realmente, um hotel. O ambiente era tão bom e saudável que, aos poucos, os universitários e, depois, os adolescentes elegeram o lugar como ponto de encontro. Certa vez, já ao final da função, uma agente da SMT liberou a pista para os ônibus quando ainda havia muita gente por ali, expondo-os ao risco de atropelamento. Reclamei, e a moça fardada acenou para um sargento da PM; felizmente, o militar percebeu que eu não a desacatava, ou eu poderia ter levado um murro na cara e ser algemado, como aconteceu com o estudante que festejava aprovação no vestibular, terça-feira última, no Parque Vaca Brava. Pois bem. Há meses que não vou ao chorinho do Grande Hotel. É que, da última vez, senti por lá o peso da infiltração de agentes policiais, pois o consumo de maconha era notório. Como eu, muitos companheiros de mais idade (alguns com a idade de meu pai, ou pouco mais) passaram a evitar aquela festa. Na minha primeira ausência, ou seja, dia 8 de agosto de 2008, um moço de vinte anos, estudante de Direito, foi assassinado no trajeto entre o Grande Hotel e o Goiânia Ouro, onde ocorria um xou com o fantástico Luiz Melodia. Eric, carioca, viera para Goiás com a mãe, Dona Regina, em busca de qualidade de vida, isto é, fugiam das balas perdidas na Cidade Maravilhosa. Aqui, ao ver um amigo sendo assaltado, tentou interferir e foi golpeado à faca por um dos assaltantes. Ato contínuo, enquanto Eric perdia a vida no asfalto da Rua 3, seus algozes refugiavam-se na casa da namorada de um deles (um apartamento no Edifício Sofia). A PM chegou a tempo de ouvir a informação dos amigos de Eric: os bandidos estavam naquele (indicavam) apartamento. Mas um dos militares alegou não poder prosseguir, pois não tinham mandado judicial. Poxa, gente! Um homicídio acabara de acontecer, os dois bandidos envolvidos estavam ali, ao alcance, era flagrante! Mas... Um sujeito foi preso estes dias, em Goiânia. Ele é o tal que enfiou a faca em Eric. Seu advogado, logicamente, tenta um hábeas corpus para o facínora. A mãe de Eric clama por justiça. Hoje, no começo da noite, ela vai ao Grande Hotel, onde sequer acontece o chorinho. Vai levar suas lágrimas de mãe que perdeu o único filho varão, um moço feliz, estudante e trabalhador. Do Grande Hotel, seguirá até o Goiânia Ouro, cumprindo o mesmo trajeto do filho. Vai ver os jovens freqüentadores da noite no centro histórico. Esperemos que o assassino de Eric não tenha conseguido a liberdade. E que outros marginais não interrompam sua caminhada. E que nenhum tenente da PM, sem o esperado preparo emocional para a função, obstaculize sua marcha em busca de Justiça. Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com
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