Luiz de Aquino Alves Neto

 Dias De Momo

Fujo dos números dramáticos dos noticiários. Fujo também da mídia turística que força-nos a horas infindas diante da tevê a ver desfiles com sabor de “déjà-vu”, prefiro o som cativante do frevo, as fantasias de bom-gosto e os passos clássicos do frevo de Olinda e Recife. Nada conheço de Pernambuco senão o que se estuda em Geografia, mais as fotos e filmes e as lojas do aeroporto naquelas escalas longas o bastante para aborrecer, mas não tão demoradas  que permita um passeio pela cidade.

É carnaval, é carnaval! Em Goiânia acontece o Goiás Festival. Ainda que na ordem inversa, prefiro a pronúncia de bom português, em lugar do antipático modo imposto pelos organizadores: Goyas Festíval (notem que pus um acento agudo na silaba do meio, porque é assim que os locutores de rádio noticiam o evento; na mídia escrita, como se viu, escreveram Goyas, em lugar de Goiás. Prefiro me calar). Trata-se de três noites de boa música instrumental que, este ano, trouxe Paulo Moura, virtuose do saxofone, mais Cristovão Bastos, mago do teclado (meu colega na Escola Evangelina Duarte Batista, em Marechal Hermes, no Rio, nos anos de 1956 e 57; era ele quem tocava acordeão em todas as festas da escola).

Na antiga capital de Goiás, a antiga Vila Boa, que, após Goiânia, é por nós chamada carinhosamente de Goiás Velho, um festival de marchinhas marcou feito um passo de ouro, a nova gestão municipal, com Mara Públio liderando e dois amantes da cidade (o poeta Ademir Hamu e o cantor e compositor João Marcelo) cuidando de tudo o mais.

Em Pirenópolis, o turismo da farofa compromete a qualidade da própria cidade. Carros de som, abusivamente, invadem o bom gosto. Na casa de Helena e José Reis, na Rua do Rosário, os bons sons de sambas e marchas vindos da rua foram expulsos pela potência de um carro brasiliense na casa em frente, com um bate-estacas suportável apenas (dizem os próprios moços) com “ecstasy”, a droga das festas “rave”(palavras que escrevo entre aspas por absoluta falta de confiança na ortografia). Carros com a parafernália eletrônica invasiva espalham-se pela cidade, em total desrespeito aos que, efetivamente, vão lá com vontade de conhecer, curtir e... gastar bem. Por isso, os brasilienses mais exigentes preferem, agora, Cavalcante a Pirenópolis e a Alto Paraíso, deixando essas opções para os vândalos viajantes.

João Marcelo e Ademir Hamu ficaram me devendo o resultado do concurso. Não faz mal, minha alegria já se faz completa por saber que tudo correu bem. Pena que eu não possa contar, aqui, o título e os versos da marcha vencedora. Na falta, transcrevo aqui a que compuseram esses dois meus amigos, especialmente para o Bloco do Rosário. A marcha é “O Bloco do Rosário vem aí” e homenageia, com justiça e competência, a artista vila-boense Maria Veiga. Vejam a letra de Ademir para o compasso e as notas de João Marcelo:

“O Bloco do Rosário vem aí / equilibrando nas pedras pra não cair / Não caio, não caio, não caio não / To amarrado no seu coração // Nessa festa, nessa folia / tem muita paz e também muita alegria / A gente canta / A gente apronta / Em Vila Boa tudo é bom demais da conta”.

Valeu, Vila Boa de Goiás!

Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Blog:http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com

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