|
|
|
Discussão Sobre O Inútil Não sou dos que se orgulham de ler cinco ou dez jornais todos os dias, ou de varrer a tevê e (ou) a Internet à cata de notícias. Potencializa-se a informação negativa; fala-se quase que só de desastres, batalhas, emboscadas (tocaia, no falar da minha terra), assassinatos... Considero-me medianamente informado. Por isso, sou capaz de deduzir. Não se tem polícia boa em lugar nenhum do mundo onde o crime não beire a perfeição e não ocorra em grande volume, como Estados Unidos, Inglaterra, França, etc. e tal. Não há, em todo o mundo, classe rica sustentando a nação; o mesmo se dá com as classes menos favorecidas. Ou seja: a conta sempre é paga pela tal de classe média. Sou um sujeito típico de classe média, que os economistas e estatísticos de qualquer lugar do mundo assim definem: tenho formação superior, um carro (de seis anos, financiado em 48 meses); tenho dois aparelhos de tevê em casa; dois computadores (rescaldo de uma tentativa de empresa que resultou falida), máquina de lavar roupa, frízer, refrigerador e um forninho de microondas de 1994. Pago Imposto de Renda na fonte, plano de saúde e taxa de condomínio, porque morar em apartamento sugere segurança. Sei que essa tal de classe média, em todo o mundo, vive apertos indescritíveis e tem de pagar a conta. Pagamos impostos para justificar escolas, saúde e segurança, mas não temos nada disso: pagamos escolas particulares, planos de saúde e segurança. Pagamos IPVA e IPI sobre automóveis, mas temos de pagar pedágio nas estradas decentes, pois as que deveriam ser construídas e mantidas com o IPVA não o são. No Brasil, sabe-se o que acontece com os impostos, pois podemos indagar: mas, e os brasucas no tal de primeiro-mundo? Por lá, também, a classe média vive oprimida, mas os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres são os que jamais podem abrir a boca. Brasileiros emigrados adoram descer a mutamba no Brasil, a ponto de chamar a minha Pátria de seu ex-país. Ora: se é seu ex-país, porque se preocupam com o que se passa aqui? Aí onde você(s) vive(m) existe o direito de contestar? Vocês têm realmente informação sobre o que se passa? Batem palmas para um governo belicista, opressor e cínico, e falam mal do que deixaram aqui. E aqui há também os que ficaram por falta de coragem de emigrar. Estes são críticos de palavras, mas sem ação para melhorar algo. Jogar tudo na responsabilidade de governos é covardia. Xingar e vaiar governantes é molecagem, é falta de educação, é vandalismo.Votar em alguém em troca de emprego ou qualquer benefício é cumplicidade. Quero ver esses críticos arregaçarem as mangas e contribuírem. Paguem seus impostos, mas ajam. Movimentem-se. Existem milhares de opções para o voluntariado, é só querer. Que cada um faça o que sabe, ofereça o que pode. Tento fazer da minha: falo a jovens em escolas e instituições públicas, exponho idéias sem ranços ideológicos, porque não seria honesto de minha parte. Prefiro ensinar a pensar a oferecer o salgadinho com o suco de laranja. Mas é mais fácil falar do que agir; é mais fácil fugir do que enfrentar. Mas provem-me que as mazelas sociais não acontecem nos EUA; provem-me que na Itália ou na Espanha, na China ou na França empregados, ainda que comandantes de aviões, não trabalham sob pressão. Provem-me que os governos do tal de primeiro-mundo não mentem, ou que não há corrupção nesses seus "novos países"; e que não há crime, porque as suas "novas polícias" se antecipam aos criminosos (isso seria tão impossível quanto a medicina antecipar-se aos vírus). É: não tenho mais paciência nem tempo para discutir o inútil. |