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Escolhas Em Tempo De Momo A vida e seus mistérios… Gosto de saber coisas do relógio biológico, isso que rege nosso tempo diário e que os tecnocratas poderosíssimos desrespeitam, impondo-nos esse tal de horário de verão sob a máscara da redução de consumo de energia elétrica. Felizmente, daqui a poucas horas estaremos livres disso. Mas relógio biológico, dizem, dá-nos também condicionamentos para períodos mais longos que o da rotação da Terra. Acostumamo-nos com a rotina semanal das folgas de sábado e domingo, bem como de outros hábitos medidos no mesmo intervalo de tempo (dizem que até mesmo animais domésticos identificam esse lapso em virtude da mudança de hábito nos finais de semana). Mas vou um pouco além... Vejo, nestas horas em que muitos pontos do País já estão contaminados pela folia de Momo, que o relógio biológico nos condiciona também ao Natal, ao Ano-Novo e à madorna de janeiro e fevereiro, liberando-nos para a tomada dos compromissos do novo ano somente após a Quarta-Feira de Cinzas. Sofremos calados as atrocidades que o horário artificial nos impõe, encerrando as tarefas do dia com o sol ainda intenso; trabalhadores e estudantes saem de casa ainda com as lâmpadas dos postes acesas e o sol vai nascer quando a primeira aula vai a meio. Momo. Carnaval. Frevo, maracatu, samba e outros ritmos sacodem-nos os corpos e alegram-nos as almas, de Parintins ao Chuí, das mais longínquas fronteiras amazônicas ao Cabo Branco da Paraíba. A Rede Globo mostrou alegres desafios de ritmos e danças carnavalescos, coisas muito típicas do Rio e de São Paulo, tendo por contraponto belíssimos costumes musicais da Bahia, de Pernambuco, do Maranhão e do Amazonas. Carnaval em Goiânia é retiro. Aqui, o samba carnavalesco fica por conta de teimosos e admiráveis blocos e escolas de samba que, há décadas, insistem para que não morra, entre nós, o carnaval de tradição. Enquanto isso, as cidades goianas dos circuitos das águas (termais e dos lagos hidrelétricos) acolhem a alegria jovial de goianienses e candangos, enquanto Pirenópolis (outra cidade da escolha de brasilienses) busca resgatar o carnaval de suas famílias originais. A cidade de Goiás, sempre amada antiga capital, investe, ultimamente, no resgate de suas marchinhas e blocos. Imagino, também, que os corsos logo,logo tomarão conta da cidade, onde faltam, no meu modo de ver a cidade, prosaicas charretes e outros carros de tração animal a dar mais cor histórica à marcante Vila Boa. Não sei (distraí-me e não vi se está programado) se haverá aquela mostra de música instrumental que trazia a Goiânia nomes de peso da boa MPB, de clássicos e do que entendemos ser a “música contemporânea”, momentos em que desfrutávamos do talento e da criatividade de geniais compositores e instrumentistas. Mas sei que o rock vai rolar, e Goiânia é riquíssima de rock, tal como o é de MPB (haja vista a terceira edição do Goiânia Canto de Ouro, que envolve, ao longo de doze semanas desde o comecinho do ano, algumas dezenas de excelentes músicos, sob a direção dos geniais Carlos Brandão e Luiz Chaffin). Em suma, para os que evitam a folia existem, pois, o rock e outras efemérides nestes quatro dias de feriado. A Igreja Católica, várias denominações evangélicas e grupos kardecistas promovem congressos e retiros. As rodovias, sabemos todos, estão congestionadas e devem ser percorridas com respeito às leis e à vida (a própria, a de próximos e a de terceiros). De minha parte, cuidarei bem de descansar, escrever, ler e dedicar-me a mim um pouco mais do que é de rotineiro. Mas deixo a todos os leitores, aos amigos, parentes e mesmo aos desafetos os meus votos de bom descanso, boa folia, bons amores (com dedicação e segurança), boa vida, enfim! E que, além de Deus, também Momo nos proteja. Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.
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