Louvação A Minas
Leitor
me liga e pergunta, mais para se expressar que para saber: “Você gosta
mesmo de Minas, hem? Gosto mesmo, é claro! Na minha pequenina Caldas
Novas, anterior ao asfalto e ao surto de turismo, não havia vivente sem
origem no estado vizinho; houvesse o termo, éramos o “entorno” de Minas
– ou um pedaço desse entorno: gente importante, os mais velhos,
estudaram em Uberaba; precisássemos de médico, iríamos a Araguari; era
de Araguari que vinha a jardineira de Siô Odilon levando gente para
Goiânia – faziam pouso no Hotel Avenida, de Juca Godoy, com direito a
banho nas banheiras térmicas (temperaturas vaiáveis entre 38º e 42º
centígrados) e conversa demorada no alpendre.
Minha mãe, de veias
italianas, nasceu em Conquista, à beira da ferrovia, não muito longe do
Rio Grande e da Usina Junqueira. Como não gostar de um lugar que, além
de minas, tem gerais? Minas da História do ouro e das lutas; gerais do
feitiço literário de tantos rosa-guimarães, dos bugres dos chapadões, de
Isaura escrava de guimarães-bernardo...
Gabeira, escriba e
deputado, falou de sinais de vida num tal planeta Minas; e são tantos os
cantos de tantas cores mineiras que entendi cinco países no planeta
gabeira: norte-bahia, sul-sampaulo, leste-rio e triângulo-goiás. Basta
saber-lhes os sotaques e as semânticas – Minas não é uma terra só, tanto
que só se fala no plural: Minas Gerais.
Hei de gostar, sim; e
sempre. Porque são de Minas: Dênia, Fátima, Adélia, Lúcia, Marisa,
Leila, Mara... Tantas encantadoras mulheres queridas! Como trocamos
falas e idéias e versos, e como lhes devo, mulheres mineiras!
Dentre as amigas das
Minas que me chegaram por último, faço ênfase para Mara, doutora de
glândulas que tanto me ensinou sobre glicemia e, muitas vezes,
empresta-me idéias que nunca devolvo: transformo-as em temas destas
crônicas duas vezes na semana. Por isso, falar de Minas não é evocar
apenas os homens Tiradentes, JK, Drummond, Ari Barroso, Antônio Olinto,
Pintangui, Sabino e outros miles: há as mulheres − e não falei de Adélia
Prado, a que nunca me responde. Mas se poucos ainda parecem ser os
argumentos, conduzo o leitor à leitura dos meus poemas “Cálidas mineiras
em termas Goiás” – que pode ser encontrado na Internet ou nas páginas do
meu livro Razões da Semente (republicado na coletânea Meus Poemas do
Século XX, pág. 174) − e “Minas: mulher, terra e ar”, do livro Sarau
(pág. 24 a 27).
Então, leitores
goiases e leitores d’outros pagos, fiquemos na homenagem que não se
acaba à terra e ao jeito de ser da gente mineira: é de Minas o melhor
dos cenários do trem; é de Minas o silêncio oportuno e a força na hora
certa, de Felipe dos Santos a Itamar Franco; é de Minas a cachaça que já
se chamou pinga; é em Minas que o Brasil se sintetiza; é em Minas que
nasce o melhor dos textos da boa língua brasileira; é em Minas que a
saudade acontece sem doer.
É em Minas que a alma se
enriquece. E se renova. E cresce.
Luiz de Aquino é escritor e
jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail:
poetaluizdeaquino@gmail.com - Blog:
http://penapoesiaporluizdeaquino.glogspot.com
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