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Mão Na Cabeça O neto em flagrante. A filha que repete os passos do papai, mas que traz na biografia a efetivação em cargo de alta graça pecuniária, sem concurso (ou seja, por “ato secreto”), a Internet recheada de informações facilmente comprováveis, como a nomenclatura de vias , palácios, hospitais, escolas e um sem-número de bens com o mesmo sobrenome inconfundível, exclusivo... O presidente passou a “mão na cabeça” do ex-presidente e novamente presidente. Sim, os muito jovens talvez não saibam, mas ele já foi deputado estadual e federal, foi senador e governador, foi presidente da República e esta é a terceira vez que preside o Senado. Mão na cabeça é palavra-de-ordem que os bandidos ouvem da polícia. Ou dizem às suas vítimas. Mas é também a referência de nossos pais e vovós sobre perdoar uma traquinagem de menino malino. Aliás, acho uma sacanagem dizer “menino malino”. Malino, corruptela de maligno, é malvado, não é? Mas a gente diz, ou dizia, malino para um menino travesso, levado, ladino, esperto, sagaz... Só que Lula, o presidente de tantas vitórias, capaz de angariar a confiança do povão mais humilde e a admiração de rainhas, reis e presidentes e primeiros-ministros das maiores potências mundiais, desta vez errou. Errou de novo. Não tinha nada que passar a mão na cabeça do imperador do Maranhão, do Amapá e de outros feudos por aí afora, onde mantém prepostos. Por essas e outras defendo a graduação de jornalistas. Graduação específica, é claro. Dirão que sou incoerente, logo eu, que me formei noutra área, que fugi do curso de jornalismo. Fugi naquela época e fugiria de novo. Quando me matriculei na UFG, já exercia o jornalismo; queria aprender mais. Chegando lá, encontrei sociologia sob vários títulos, quero dizer, várias máscaras. E eu vinha do curso de Geografia. Deparei-me com “professores” de jornalismo que traziam, alguns, diplomas específicos, obtidos no Rio de Janeiro etc., mas que jamais trabalharam em veículos de notícias. E não tinham formação de professores. Logo, eram profissionais sem experiência e instrutores sem preparo. Fugi, sim. A Universidade devia exigir conhecimento didático, além de conteúdo. E permitir que os professores de jornalismo exerçam a profissão de jornalista, como acontece com os professores de medicina, de direito, de engenharia e de todas as demais áreas. Liberar a exigência do diploma pode parecer dispensar o mesmo. Ledo engano. Um advogado em jornal poderá até ser um repórter razoável, mas se escrever em juridiquês parecerá ridículo até mesmo para seus pares. O mesmo se dará com os formados em outras áreas. Jornalismo tem sua gíria, seus jargões, seu “modus operandi”, e isso não se aprende plenamente na escola nem se adquire apenas por osmose – é preciso convívio, capacidade de aprender, vontade de assimilar. É preciso muita leitura, muita informação e a intransferível capacidade de processar as informações, transformando-as em notícias, tal como um professor (de verdade) processa o que sabe e, com a têmpera da didática, aplica isso na transmissão do conhecimento e na formação do indivíduo. Ou isso, ou se busca o caminho do voto, das urnas e da “mão na cabeça”. No primeiro ou no segundo conceito. Fui claro? Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com - Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.glogspot.com |