Luiz de Aquino Alves Neto

 Medo Do Futuro

A Câmara Federal pretende perdoar os crimes contra a Amazônia cometidos até 2008. Eu disse Amazônia? Crimes contra a Humanidade, centrados no desmatamento desenfreado, isso sim!

A Câmara Federal aprovou, também, o piso salarial de policiais e bombeiros militares (consta que será de R$ 4 mil para soldados, R$ 7 mil para tenentes). A Câmara Federal aprovou, sei lá quando, um piso salarial de R$ 1.300 para professores.

Dirão aí que existem policiais corruptos. Policiais torturadores. Bombeiros que não correspondem à imagem que a nação faz deles. Direi eu que existem também professores que não se sentem comprometidos com os ideais e os princípios fundamentais da Educação. Professores de Matemática que não conhecem de raiz quadrada, professor de Português que não sabe de gramática e ortografia.

Com os novos níveis de salários para os militares bombeiros e policiais, é hora de os parlamentares cuidarem de valorizar os professores. A área da Educação continua sendo a mais espezinhada pela classe política. Já disse (e escrevi) há anos que, no Brasil, político é o péssimo aluno que, por alguma razão que escapa à lógica, conseguiu vencer na vida. E passa a vida adulta vingando-se dos professores porque estes tentaram ensinar-lhes alguma coisa.

No final do primeiro semestre letivo deste 2010, uma professora de Língua Portuguesa numa faculdade pública foi alvo da antipatia dos alunos. Tudo porque a mestra atreveu-se a corrigir ortografia, regência e concordância nas provas. Caras fechadas, semblantes de humilhados e até pais, que geralmente só vão às faculdades para as festas de formatura, apareceram para exigir da professora:

– Para de apertar meu filho, você está “perseguindo ele”.

Nas ruas , a zelosa professora passou a ser olhada como uma torturadora, uma capitã-do-mato dos tempos atuais:

– É essa aí a professora que quer fazer “os menino” da faculdade escrever certo. Que bobinha!...

E assim, acadêmicos cujos cursos são custeados pelos nossos impostos vão ganhar grau universitário, ainda que falem: a pessoa “que eu gosto”; “conzinha”; açúcar “mascado”; casas “germinadas”. Imaginem! Em pouco tempo, esses “brilhantes” alunos serão chamados de doutores. Ou, pior ainda, de professores! Nada mal para quem aprende a falar ouvindo os locutores esportivos... Recentemente,  Galvão Bueno inventou mais uma regência esdrúxula:

– Quem quiser torcer “contra da” Argentina...

Verdade! Ouvi-o falar isso num intervalo de suas chatas falas enquanto transmitia corrida de Fórmula 1, prenunciando um jogo que aconteceria na tarde do mesmo dia.

A professora em questão tenta ser boa profissional, mas é impedida nesse propósito pelos próprios alunos, imaginem! Alunos que estudam de graça, às custas do Erário, e que não atinam pelo privilégio que têm de adquirir cultura e conhecimento a custo zero. E é ameaçada pelos pais desses alunos. Um deles visitou a mestra na universidade e foi desaforado:

– Fique a senhora sabendo que eu posso muito bem pagar faculdade particular pro meu filho – disse o “poderoso” papai.

E arrematou, senhor de si:

– Faculdade federal não presta mesmo...

(Continuo defendendo um salário para professores no mesmo piso que darão aos tenentes policiais e bombeiros).

Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras.  E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com. Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com/

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