Luiz de Aquino Alves Neto

Meireles Para Presidente

Anápolis é uma cidade diferente em Goiás. Não tem rodeios quando se trata de mostrar seus valores humanos. E assim é desde que surgiu como povoado, até os dias de hoje. Aliás, é bom destacar que todas as comunidades devem, sim, realçar seus valores humanos, ou cairá no esquecimento, sem fazer jus ao respeito dos demais núcleos humanos.

Curiosamente, nós, goianos, temos a mania triste de uma timidez injustificada. Isso já foi notado por vários vultos nativos, como Bernardo Élis, um dos maiores escritores brasileiros, de pouca expressão além das nossas divisas, ainda que membro da Academia Brasileira de Letras.  Ou seja, ele era um dos vencidos pela própria timidez.

Morei em Anápolis pouco mais de um ano, em 1966/67. Foi lá que comecei este ofício de articulista em jornal, pois notei que a cidade tinha suas marcas. A mais notável delas é valorizar seus vultos, sejam eles nativos ou integrados. Henrique Meireles nasceu lá. Célia Arantes mudou-se para lá. Para mim, são eles os dois mais significativos referenciais vivos da cidade, sem desmerecer tantos outros.

Ah, a Célia! Escritora versátil e ser humano de luz própria, destacou-se pelo seu talento com as letras e a competência nas relações pessoais, o que fez dela, sempre, uma amiga indispensável, marcante. Célia sempre foi nosso ponto de equilíbrio, tanto na União Brasileira de Escritores em Goiás quanto nas suas atividades em sociedade, com ênfase para Anápolis, mas sem esquecer sua vivência goianiense da juventude, em especial no bairro de Campinas. Um tal de “avecê” tirou Célia do cenário sócio-literário goianiense, há alguns meses, mas Cristiane, filha vigilante, dá-nos boas novas quanto à sua lucidez e vivacidade, sua reação positiva às informações que ela, Cristiane, lhe passa.

Conte-lhe, Cristiane, que a sua Anápolis, que já nos rendeu um Henrique Santillo, paulista em criança, mas anapolino pelo resto da vida, prefeito e senador, governador e ministro da Saúde, mostra ao Brasil e ao mundo outro Henrique, o Meireles. Orgulham-nos ambos, tanto quanto também ela, Célia, nos orgulha. O Henrique agora em voga é tido, num conceito quase unânime no Brasil e no meio econômico internacional, como o grande maestro das práticas acertadas.

Na quarta-feira desta semana, no programa do Jô Soares, cinco mulheres de altíssima cotação profissional, analistas de política e de economia, analisavam com rigor quase ferino as atitudes do governo ante a crise. Num dado momento, uma delas ironizou o fato de Henrique Meireles dizer que “o pior da crise já passou”. Logo em seguida, ela própria elogiava o presidente Lula por dois momentos: o primeiro, ao nomear Meireles; o segundo, por manter Meireles.

Lembro-me do adolescente Henrique Meireles no Liceu, presidindo a Confederação Goiana dos Estudantes, em oposição à UGES. Agora, vejo-o numa evidência a que poucos goianos chegaram (antes dele, também no Banco Central, houve Gustavo Loiola, de quem fui professor no primeiro ano científico, no final dos anos 1960; claro que me orgulho dele também).

E aí, falam nele para governador de Goiás em 2010. Será? Acho que Meireles tem mesmo é cacife de sobra para suceder o presidente Lula.

Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com

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