|
|
|
Milca, A Vitoriosa A secretária Milca Severino, da Educação, tem muito a comemorar com a II Bienal do Livro. Agregou escritores, juntou estudantes de todas as idades, mobilizou professores e o povão anônimo também disse presente. Com os percalços naturais de qualquer evento, a feira cumpriu seu papel. Não pude ser mais presente, tive coisas de casa a resolver, de modo que vivi momentos poucos no Centro de Convenções, mas bastante proveitosos. Como o papo rápido, mas enriquecedor e feliz, com o poeta Carlos Nejar, imortal da Academia Brasileira de Letras, e o reencontro com Fausto Rodrigues Valle, Leonardo Teixeira, Miguel Jorge, Moema de Castro, Ivanor Florêncio, Brasigóis Felício, Edival Lourenço, Doracino Naves, Leda Selma, Danilo Gomes, Maria Helena Chein... Volto ao tema, com alegria quase infantil. Confesso que a feira, que ainda chamaram de Bienal do Livro, chegou-me como uma surpresa, pois faltou a edição de 2007, o que me levou a crer que a iniciativa ficaria no passado, tal como a I Bienal de Artes, realizada sob o patrocínio da então poderosa Caixa Econômica Estadual de Goiás, “falida” pela conveniência política. Mas ela veio, aconteceu, marcou presença e, espero que para muitos outros, deixou saudade. Gostei de ver a alegria da secretária Milca. Ela reúne o que se tem de bom em Goiás como educadora e gestora pública. Mostrou eficiência em dois mandatos (eleitos) como reitora da Universidade Federal de Goiás e assegura à Educação estadual os procedimentos corretos na política educacional. Ao realizar a II Bienal, ela deixa claro que a Educação não se limita às salas de aulas, como Cultura não pode resumir-se a reformas de edifícios. Já disse, e reafirmo, que entendo ser necessário, no Brasil, uma guinada na filosofia das feiras de livros. Os que me lêem, e os que me ouvem, precipitam-se em torcer o nariz antes do final do texto ou no meio da minha exposição verbal. Eu preciso dizer que nos falta, aos autores de textos que, muitas das vezes, resultam em livros, que o foco principal deveria voltar-se mais para os autores literários. Os consumidores de livros não são, necessariamente, leitores de literatura. E as feiras, usando-nos como ameixa de pudim, fazem dos escritores adornos de seu prato principal – vender papel impresso encadernado. Inúmeros estandes traziam exclusivamente livros religiosos. Outros, de auto-ajuda e os indefectíveis técnicos. O público infantil passa a ser quase que o único a quem se oferece literatura. O envolvimento de autores literários locais é igualmente restrito e repetem-se, a cada nova feira, os mesmos nomes de sempre, em prejuízo dos menos lembrados, ou dos nunca lembrados (incluo-me, sem constrangimento, entre os ilustres esquecidos, convidam-me para ser claque dos que estão sempre em destaque). Tudo bem, tenho consciência de que não sou simpático aos olhos dos que têm esse poder de escolha. Entendi insuficiente a divulgação, mas isso não é culpa da Secretaria da Educação: material de notícia houve, e bastante. Infelizmente, temos em Goiânia jornais e tevês que proíbem destaque para as notícias de cultura. E o balanço geral é positivo. Editores e comerciantes estão felizes, como felizes estão também os que foram alvos de homenagens e convidados para momentos de autógrafos. Cumprimento, pois, a professora Milca Severino e sua equipe de auxiliares. E abraço o governador Alcides Rodrigues, que simboliza o patrocínio oficial ao evento. Que venham outras iniciativas, Governador! Os artífices goianos das letras agradecem. Luiz de Aquino é
escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. . |