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Moeda Ou Livro Já havia escrito um parágrafo quando, sem querer, cliquei na página de e-mail. A cantora carioca Irinéia Ribeiro mandou-me uma crônica de Rodrigo Ratier, do site http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml, com o título “Vale mais que um trocado”: "Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão (…). Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico “Auto da Barca do Inferno”, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo “Divina Albertina”, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais”. O autor continua, entusiasmado: “Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo…”. Sugestão minha: Leitor, visite o site indicado e conheça todo o texto! É certo que Você, como eu, olhará de modo diferente para os pedintes das ruas. Talvez os distribuidores de panfletos não se incluam nesse perfil, pois são profissionais empregados e não trabalhadores autônomos das esquinas. A vida atual, a que não mais podemos chamar de moderna, tem características muito estranhas. Se ontem (há pouco mais de uma década) entendíamos que os que rejeitam livros são pessoas mal-informadas (e, pior, mal-formadas), hoje sabemos que um adolescente fuçando em centenas de páginas da Internet, sem limites de gêneros, está, sim, em pleno exercício da leitura. Ou, se preferirem, do aprendizado. Mesmo que indisciplinado (aquilo que já se chamou autodidatismo). Nós, os mais velhos, somos detentores de uma erudição muitas vezes desnecessárias e, em alguns casos, pedante. O aprendizado que se tem nos computadores é qualificado como perigoso, porque a “rede” se alimenta de qualquer coisa, sem critério seletivo etc. E daí? Nossas conversas de recreio, de botequim, dos salões de beleza e das esquinas é diferente? Mas é muito bom constatar que, nas esquinas, há pessoas que gostam de ganhar um livro. Gostei! Gostei da ideia, também vou pôr uma caixa de livros variados no meu velho Fiat e testar a receptividade. Vamos ver se os malabaristas, os coletores de ajudas para abrigos de recuperação de drogados, vendedores de canetas e balinhas e os mendigos em geral receberão o donativo com um sorriso. Vamos lá, poetas! Vale a pena testar. Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com |