Luiz de Aquino Alves Neto

 Parece Que Foi Ontem

A frase é pobre, gasta e duvidosa. Tornou-se uma “força de expressão”, em lugar de equivaler ao que realmente se quer dizer: parecer, mesmo, que aconteceu ontem o que se recorda agora, 28 anos depois.

O “Cinco de Março” era um semanário que, por vinte anos, sacudiu e incomodou as consciências políticas que preferiam os pactos da madrugada e das portas fechadas em lugar da explanação transparente de seus atos. A redação ficava na Avenida 24 de Outubro, em Campinas (o bairro que era cidade antes da construção de Goiânia). Funcionava no que, em Goiás, chamamos de barracão, mas era uma construção ampla que abrigava não só a redação como, também, a impressora.

Barracão, como sabemos, é o apelido que damos a uma construção nos fundos do terreno; no caso do “Cinco de Março”, o extenso trecho entre o portão de entrada e a construção era ocupado como estacionamento. Mas, em janeiro daquele 1980, deu-se início a uma nova obra que ocupou toda a parte disponível do imóvel: era a redação do “Diário da Manhã”. Simultaneamente, formava-se o corpo de jornalistas do novo diário, e várias edições experimentais eram feitas como se o jornal, efetivamente, fosse às bancas no dia seguinte.

Eu era da editoria chefiada por Marco Antônio Silva Lemos no “Cinco de Março”, onde, no segundo semestre de 1979, assinei matéria de páginas centrais (duas páginas, sim!) sobre as invasões imobiliárias. Foi a primeira vez que apareceu a expressão “invasões milionárias” para os imóveis da Rua 115.

Fui com Marco Antônio Silva Lemos para o DM. Estreamos em 12 de março e, nessa data, já constituíamos a mais expressiva equipe de jornalistas jamais constituída por aqui. Eram nomes locais de muito peso profissional, que se somaram a vários colegas de renome nacional. Entre os assinantes de colunas de crônicas e artigos, só para ilustrar, tínhamos Jânio de Freitas e Carlos Drummond de Andrade. E nós, os mais jovens, pouco experientes ou mesmo ainda focas, ganhamos a oportunidade de nos sentir colegas de gente tão famosa.

Carlos Alberto Sáfadi, Jairo Rodrigues, Raimundo Filho, Luiz Augusto da Paz, Wilmar Alves, Jorge Braga, Valterli Guedes, Servito Menezes, Lorimá (Mazinho), Paulo (Phaulo) Gonçalves, Shirley Camilo, Hélio Rocha... A fina flor do jornalismo local, a quem se juntaram, a convite do Batista, Marco Antônio Coelho, Aloísio Bionde, Washington Novais... Claro que omito muitos nomes, não há espaço para todos. Consuelo Nasser e Eliezer Penna continuaram no “Cinco de Março”, que permaneceu até agosto.

Jornal novo, nome forte, volumoso e cheio de coisas para se ler. Tinha Oscar Dias e João Bennio, também. Até aquela época, pelo menos, jornalismo era profissão de pessoas com vocação para o texto, para os fatos e, sem dúvida, pelas emoções. O Diário da Manhã ofereceu-nos sempre todos esses ingredientes. Nossas matérias ganhavam repercussão nacional e tínhamos orgulho de cuidar, com esmero, da qualidade dos textos e da fidelidade aos fatos, além de divulgar as mais sérias análises pelos que constituíam a nata da equipe.

Emoções, desafios, conquistas, vitórias; uma ou outra batalha perdida, o processo constante de renovação, o aprendizado prático para centenas de jornalistas neófitos nestes 28 anos... Ah, sim! Sem dúvida, vivemos a história do jornalismo neste Planalto Central, história esta iniciada, coincidentemente, num 5 de março, em 1830, na vetusta Meia-Ponte que é hoje Pirenópolis.

Quem sabe Batista Custódio reencarna o comendador Joaquim Alves de Oliveira, criador da “Matutina Meiapontense”? Ou, se é fato que repetimos vidas (e experiências), o padre Luiz Gonzaga de Carmargo Fleuri, seu redator-chefe. Eu não terminaria essas divagações, mas o espaço é tácito.

Finalizo em regozijo por fazer parte daquela equipe pioneira. E por continuar nos quadros do DM.

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