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Luiz de Aquino Alves Neto
Pirenópolis,
Meia-Ponte, outra vez...
 
Dia de recapitular a vida, ou, pelo menos,
parte dela…
Para a publicação de hoje, escrevo ontem, é claro! Quero dizer que hoje
é quarta-feira, dia 7 de outubro, data em que Pirenópolis foi fundada,
em 1727. Então, ontem é o hoje da minha escrita, dia 6 de outubro de
2009, dia em que festejo 31 anos...
Calma, Leda(ê) Selma! Eu, pessoa, tenho 64 anos, desde aquelas vésperas
de Primavera, em Caldas Novas, manhã de sábado “et cetera”, como já
escrevi em várias versões. Meu aniversário de 31 anos não é virginiano,
mas libriano. Foi no 6 de outubro, em 1978, que estreei em livro. Meu
“primogênito”, que se chamou “O Cerco e Outros Casos”, veio a lume com
revisão, prefácio e discurso inflamado e belíssimo na noite de
autógrafos pelo talento do saudoso Professor Gomes Filho.
Quando escrevo aqui Professor em inicial maiúscula, faço-o em louvor a
três dispositivos: o primeiro deles, porque a missão do professor
reveste-se de um sacerdócio sagrado, daí o meu sentimento de sacralidade
ante o termo; o segundo, em respeito ao que dispõe o acordo que tenta
unificar a grafia nos países lusófonos, permitindo-nos enaltecer em
maiúsculas algumas profissões e ofícios. Por fim, refiro-me a Gomes
Filho, o Joaquim, em quem a palavra Professor entrou em lugar do
prenome, com justiça e carinho.
Hoje, feriado e festa na vetusta Meia-Ponte do Rosário; ontem, dia 6,
momento da minha escrita. E ao escrever, cumpro duplamente o silêncio
destes minutos, com o segundo plano funcionando feito auto-homenagem. Se
às pessoas comuns isso nada significa, os escribas me compreendem. Os
leitores aficionados, estes entendem-me mais nitidamente. Sabem bem que
parir um livro dói. É dor de concepção e gestação, alegria, emoção,
surpresa, expectativa, encontro. Encontro do ego com o mundo externo. Um
parto, mesmo. E quem são os pais e mães que se furtam de festejar os
aniversários dos filhos?
Festejar “O Cerco” (que teve segunda edição em 2003, com o nome assim
reduzido, para festejar o Jubileu de Prata) é festejar o
desvirginamento. Não a quebra de um metafórico hímen, de fora para
dentro, mas o rasgar da trava de dentro para fora. É uma imagem
legítima, essa: o autor tira de dentro de si para expor ao mundo
possível.
Em 1978, tive o amparo do prefeito Altamir Mendonça, que patrocinou
parte do meu tímido livro de estreia; agora, tenho o apoio decisivo de
Nivaldo Melo e Eli de Sá, prefeito e presidente da Câmara de Pirenópolis.
Decisivo, também, foi a atuação do meu primo Luiz Antônio Godinho,
eterno apaixonado por coisas de cultura (principalmente quando se trata
de Pirenópolis) e do secretário de Cultura, Gedson de Oliveira.
A estes, o meu abraço de gratidão e a minha homenagem simples nestas
linhas. Nossa terra, Pirenópolis, merece nosso empenho e nosso
sacrifício. Na última segunda-feira, visitei o Centro de Dcomentação (CEDOC)
do jornal “O Popular”, onde localizei alguns dos meus primeiros
escritos. Lá, encontrei uma crônica louvando meu reencontro com meu pai,
o “Véi Raé”, após cinco anos de ausência minha (esse reencontro, na
véspera do Natal dos meus 15 anos). Achei também alguns contos meus e,
particularmente, um dos meus primeiros textos sobre Pirenópolis: “Tem
maromba, ronqueira e banda-de-couro”. Era agosto de 1974.
E foi também entre os colegas de “O Popular” que pincei o Jorge Braga
para ilustrar “O Cerco”. Assim, e sem querer, meu livro debutante marcou
outros estreantes. Foi o primeiro livro ilustrado por Jorge Braga. E na
próxima sexta-feira, depois de amanhã, dia 9 de outubro, o cartunista
mais festejado de Goiás receberá, junto comigo, o título de Cidadão
Pirenopolino.
Mais um brinde, velho Jorge!

Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor,
membro da Academia Goiana de Letras.
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