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Proibido Para Andantes e Cadeirantes Há anos venho pleiteando, nas linhas deste espaço de crônicas e artigos, providências da prefeitura de Goiânia sobre coisas triviais, fáceis de serem solucionadas. Uma delas diz respeito às calçadas do meu bairro e adjacências – o Setor Bela Vista, mais o Pedro Ludovico e o Alto Bueno, ou seja, estas proximidades da Avenida T-63. É preciso rememorar: a Avenida T-63 é o resultado de uma emenda. As vias com esse prefixo literal T constituem o Setor Bueno, bairro resultante da paga, em terras, por Pedro Ludovico aos irmãos Coimbra Bueno; eles criaram a Vila Coimbra (que hoje dizem ser Setor porque, aqui em Goiânia, existe uma hierarquia patética: um bairro se chama “vila” enquanto não ganha asfalto; quando chega o benefício da pavimentação, tornar-se “setor” e até mesmo o Bairro Feliz, a Vila Nova e a Nova Vila, desde a administração do prefeito Índio Artiaga, passaram a se chamar Setor Bairro Feliz, Setor Vila Nova e Setor Nova Vila (morro de vergonha, confesso!). Mas... Como eu dizia, a prefeitura, no finalzinha da década de 1980, entendeu de emendar ruas e avenidas e torná-las uma via só, com um só nome. Assim, a Avenida 5a. Radial (do setor Pedro Ludovico) emendou-se à Avenida T-63, que se emendou a uma outra (daí em diante, esqueci as nomenclaturas) do Jardim América (e Setor Nova Suíça) e ainda do Setor Sudoeste, aplicando-se-lhes o apelido único de Avenida T-63. Assim, o trecho que era 5a. Radial, da Avenida Circular até a esquina com a Alameda Leopoldo de Bulhões e que, por lei municipal, chamava-se Xavier da Silveira, anulou-se. Nem 5a. Radial, nem Xavier da Silveira (reverteu-se a homenagem, muito justa, ao médico e escritor... Ah, de que valem médicos e escritores? Só se tivessem ocupado cargos políticos, não é?). Tem mais: para compactar as pistas duplas da nova avenida, a prefeitura não se envergonhou, sequer se enrubesceu: passou máquinas pelas ruas próximas, afundando a pista original em pelo menos 50 cm. Carros tiveram dificuldades para sair ou entrar em suas respectivas garagens, moradores fizeram contorcionismo para vencer o pequeno abismo etc. O problema é que, ainda hoje, mais de vinte anos depois, as calçadas têm desníveis insuportáveis. Algumas têm inclinações impraticáveis, em frontal desacordo com os códigos municipais. Mas nenhum prefeito, desde então, se mexeu para corrigir o aleijume. Cada imóvel agiu como bem entendeu, uns mantiveram a inclinação estúpida, que expulsa pedestres para o asfalto, outros rebaixaram... Uma zona! Daqui, deste meu espaço de prosa, já convidei todos os prefeitos (inclusive o autor da proeza, que retornou para mais um mandato) para um passeio a pé por estas calçadas, mas nenhum deles se dignou (nem se digna) sequer a comentar minhas queixas. Ah! É bom lembrar, também, que, para economizar asfalto, a pavimentação das ruas, feita pelo mesmo prefeito que as afundou, se deu de modo que as calçadas são largas e as pistas dos automóveis, estreitas. Com o aumento assustador da frota e a liberação desenfreada de alvarás para construção de centenas de edifícios de apartamentos, é fácil imaginar-se o caos em que vivemos nestes bairros da Serrinha e proximidades. Como se não bastasse, existem por aqui, também, algumas agências de automóveis. O triste é que os caminhões-cegonhas agem como bem entendem e resolvem desembarcar suas cargas nas ruas secundárias próximas, todas elas já bastante congestionadas. Os “eficazes e bem preparados” guardas da AMT não os perturbam (estão ocupados demais em criar multas fictícias, sobre as quais teoriza-se a defesa que jamais é deferida). Imaginem um imenso caminhão desses, transportando cerca de vinte automóveis, fazendo o desembarque na, por exemplo, Rua T-62, ao meio-dia e meia de uma quinta-feira! Quero renovar meu convite: que o prefeito Paulo Garcia passeie por aqui, a pé; mas convide também os vereadores Iram Saraiva e Cidinha Siqueira, que são cadeirantes. E, de quebra, os líderes do prefeito, da situação e da oposição para decidirem se devem ou não agir no sentido de regularizar essa coisa! Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é escritor, membro da Academia Goiana de Letras.
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