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Quero Meu Vila De Volta A quem interessa o futebol sem qualidade que o Vila Nova vem oferecendo, hem? Não interessa ao time. Não interessa à diretoria. Não interessa ao técnico, nem aos funcionários do clube. Muito menos à torcida ou à imprensa. À sociedade goiana, muito menos (é fato que boa parte da sociedade sequer “se lixa” para futebol, como as duas outras pessoas lá de casa). Mas, no todo, há, sim, um interesse geral, tanto quando me interessa que qualquer empresa da minha terra seja promissora e lucrativa, que os religiosos daqui se aproximem de fato do Criador e de seus anjos. Alguém aqui, lendo sobre meu ombro, diz que interessa “ao Goiás Esporte” a falência total do Vila Nova. Discordo. Já ouvi de muitos esmeraldinos, mesmo de alguns dirigentes, que “melhor seria se o Vila não existisse”, mas isso me soa falso. Ao meu espírito vila-novense o que soa bem é o constante crescimento do Goiás Esporte, bem como a respeitável ressurreição do Atlético Goianiense. E como eu ficaria feliz se o Vila Nova se recuperasse e, ainda, que o Goiânia Esporte, de tantas glórias, voltasse à posição de destaque que foi o seu lugar nas primeiras três décadas da vida goianiense!... Ao meu modo, e sem o prestígio e os poderes que ele tinha, sou meio Antônio Acioli, o atleticano que emprestava o campo para o Goiás treinar e que até escolheu as cores do Vila Nova. Quero mesmo é um futebol de alta qualidade, que coloque Goiânia no mesmo nível de Porto Alegre, Curitiba, Recife e Belo Horizonte, rivalizando-se com Rio e São Paulo (onde tudo sempre aconteceu). Não me conformo de ver essa disputa mesquinha, prefiro a disputa de qualidade de talentos e coordenação esportiva em campo, de administrações promissoras nos clubes, e que as torcidas não se digladiem nas ruas, não marquem batalhas pela Internet, não vão armadas aos estádios (arma de torcedor são as cores, as bandeiras o seu canto de estímulo). Torcida não se forma nas derrotas, mas nas vitórias, principalmente quando recheadas de lances memoráveis, daqueles que consagram atletas para o futuro. Torcidas se fazem de seres apaixonados, e a paixão vem das cores, dos resultados, mas principalmente do balé improvisado que resulta naquilo que aprendemos a chamar de futebol-arte. Nisso, o Vila Nova já foi escola. Pode voltar a ser, pode ressurgir das cinzas de agora, como bem preconizou Jayro Rodrigues em seu artigo de ontem. Estrutura administrativa e patrimônio, dizem, o Vila Nova já tem. Falta zelo. Falta treinar, ensaiar e praticar para convencer todo o elenco de que as vitórias são possíveis. De resto, senhores dirigentes, é ter certeza. Só isso: ter certeza de que a massa que se apelida de “ nação vilanovense” dirá, sempre, presente na platéia. Porque essa torcida não se formou do nada, ela não nasceu do bairro nem se fez tão-somente hereditária, apenas, mas sustenta-se nas glórias acumuladas, glórias essas que, ultimamente, vêm ficando distantes no tempo. Espero, e torço por isso, que os noticiários dos próximos dias não tragam apenas as fofocas dos desentendimentos internos, sejam eles entre jogadores, entre estes e o técnico e menos ainda entre diretoria e atletas, tendo a equipe técnica envolvida em tais fuxicos. Nós, torcedores, queremos harmonia, queremos a casa arrumada, o uniforme impecável de cores sagradas pela História e, principalmente, nossos louros de volta. E quem tem que fazer isso são vocês, dirigentes, técnico, auxiliares e jogadores. Da nossa parte, todo mundo sabe, a peteca não cai. Quero dizer, a bandeira! Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Blog:http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com |