|
|
|
Recados À AMMA
Depois daquele entrevero sobre o corte de uns trinta exemplares de ipês
na Avenida 85, encontrei-me com o titular da Agência Municipal do
Meio-Ambiente de Goiânia, Clarismino Júnior. Convidou-me a visitá-lo na
Agência, a AMMA, e fui. Gostei do que vi, gostei das horas que curti lá,
era manhã de sol. Conheci cada gerência, cada seção e um número grande
de funcionários e voluntários. São muitos jovens com graduações
específicas, como biólogos, geógrafos, engenheiros agrônomos e
florestais, profissionais vários, enfim, incluindo bacharéis em economia
e direito, todos voltados para a causa ambiental.
O ambiente é dos melhores, quebra radicalmente o (mau) conceito dos que
imaginam um órgão público como a caricatura que se fazia, há décadas. Ali,
ouvem-se de gente altamente especializada informações sobre qualidade do
ar, condições das águas, situação de árvores e arbustos, interferência das
redes de energia e telefonia, bem como de água e esgoto no sistema de
arborização, ocorrência de animais silvestres no espaço urbano... Uma
bióloga contou-me, feliz, uma descoberta: um ouriço cuja espécie não
estava, ainda, catalogada (desculpem-me, foram tantas pessoas muito
agradáveis no trato que não pude registrar os nomes; da próxima vez,
agirei como repórter e trarei dados precisos, tais como nomes e números).
Sempre observei com certo carinho radical a situação dos jardins e da
arborização da cidade. Vem daí minha boa briga contra a erradicação dos
ipês. Fiz a cobrança ao presidente da AMMA, e Clarismino assegurou-me que
plantará muito mais ipês em cada um dos novos parques, como compensação.
Tudo bem, lamento ainda pela modificação na paisagem, mas senti-me
recompensado.
O quotidiano envolve-nos sempre. Muitas vezes, sinto-me tentado a ligar
161 – o “telefone verde” – para denunciar situações irregulares. Em
algumas ocasiões, fiz isso e gostei do efeito, e eram relacionados a abuso
de som em automóveis. Quanto a árvores, duas situações perturbam-me:
quando removem uma árvore sem razão aparente, senão abrir espaço para
exibir a fachada de algum comércio, e quando, serrando a árvore pelo
caule, deixam na calçada o imenso toco com as raízes, em frontal ameaça
aos passantes. Na maioria das vezes em que essa situação dupla acontece, a
árvore foi, antes, envenenada para ser removida.
Dia desses aí,
eu pagava uma prestação de consórcio na Avenida T-11, quase esquina com a
Avenida 85 (no mesmo trecho de onde removeram-se os ipês) quando caiu uma
forte chuva. Meu carro, estacionado na faixa que outrora foi o jardim da
casa que se tornou escritório, ficou sob risco. Um dos funcionários
disse-me que a árvore poderia cair, pois haviam posto “tordon”ou algo
parecido para que ela morresse.
Pensei: é um caso para a AMMA.
Na calçada frontal do Hospital Geral de Goiânia, na Avenida Anhanguera, as
amendoeiras que enfeitam o local e dão sombra agradável já elevaram placas
da calçada em mais de 30 centímetros, além de ostentarem muitos galhos
podres, nítida ameaça aos milhares de pedestres de cada dia. Mais um caso
para a AMMA.
Digo isso porque, sei, existe um projeto, já em andamento, de substituição
de espécimes na cidade, sob critérios científicos e de adequação. Deixo
aqui, em vez de telefonar para 161, esta contribuição simbólica (outras,
cuidarei de levar pela via regular do telefone). Apesar da minha
manifestação severa contra a remoção dos ipês, acredito nos bons
princípios de Clarismino e sua equipe. E espero que o bom senso ultrapasse
os períodos eleitorais, pelo bem da comunidade. Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino |