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Régua Relógio Por que será que, ao longo da vida, em praticamente todos os nossos instantes, somos levados a tomar medidas? Medem-nos desde a concepção até o momento derradeiro, sob as várias visagens e os vários conceitos de que se reveste nossa existência... A começar do fato de que o início de uma vida se dá quando as que a concebem estão, teoricamente, a meio de seu tempo. E medem-se o tempo e o espaço, sob os variados conceitos que se faz de espaço e de tempo. Curiosamente, as medidas estão, quase sempre, emparelhadas, próximas, muitas vezes integradas. Dificilmente agimos no espaço sem considerar o tempo, e vice-versa. História e Geografia, a par e a passo, integradas, tal como, por uns tempos, se formavam professores com vistas aos ditos "estudos sociais" identificando o homem em seu tempo e situando-o em seu espaço. Medir, avaliar, considerar: coisas que, se desprovidas de sentimentos, são chamadas de técnicas; mas se à métrica, ao sopeso e ao cronômetro atrelarmos a sensibilidade humana, a coisa vira ciência. Ou poesia. A saudade, palavra que já foi, inúmeras vezes, dita a mais bonita da "última flor do Lácio, inculta e bela"(Ih! Bilac morreria outra vez com esta reforma... Mas não falarei de reforma ortográfica hoje. Hoje é dia de eu tentar medir sentimentos)... A saudade, eu dizia, é um produto da medida do tempo e da distância. Certa vez comentei sobre essa crença tão nossa, povos lusófonos, de que "saudade"só existe em Português, e Arthur de Lucca, amigo atento e culto, corrigiu-me em delicada e bem sustentada carta. Sim, é claro... O sentimento da saudade é universal, mas a exclusividade da palavra é igual à de tantas outras. Por exemplo, a terminação "ao", esta sim, é exclusiva da nossa língua. É possível, sim, que sejamos os povos que mais se escoram na saudade... Sim! O que seria da poesia sem a saudade, hem? Ah, a poesia! Ainda existem os amantes de poesia que só a entendem se vier carregada de métrica e rima. Rimar e metrificar não é difícil, isso se pode conseguir com técnica e prática. Difícil é produzir poesia em frases e expressões. Isso é privativo dos poetas. Sendo assim, poetizar é uma coisa, versejar é outra. Bom versejador há de ser bom poeta, ou será um produtor de meras frases de efeito, com medidas em silabas e tonicidade, mas sem o "molho" bem temperado do ritmo envolvente, do resultado sentimental, da almessência a que chamamos de poesia. Poesia é língua, com todos os seus apetrechos. E é História, é Geografia, é Ciência e Sentir, tudo assim, com iniciais maiúsculas. Dia desses aí, há bem poucos dias, produzi esse poeminha despretensioso, cheio de sonho e saudade, que chamei de "Três rainhas, Zona Oeste": A pedra tem seu peso e pesa, nua. Mas aos olhos, parece-me, flutua.
A forma é ímpar: alva Gávea de saltos ousados: voa-se leve para se pousar na praia.
Folhas filhas de amendoeiras enfeitam as fotos onde em cima reina um morro ainda de pelos,
(Os verdes pelos perdidos para acolher moradias favelas: tristeza dos nossos dias).
Paisagens de sábado, dia feliz, três lindas queridas, olhares sorrisos de me encantar. Luiz. Talvez não devesse dizer, mas é saudade de longe (na Terra e no ontem). Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com |