|
|
|
Representantes De Quem? Ouvia maravilhas sobre Fernando Henrique, o (s)ociólogo; queria votar nele, mas o homem era político paulista. Quando se candidatou à Presidência da República, fiquei feliz. Mudei meu voto quando FHC assinou com ACM. É que, naquele ato, ACM era coerente (cuidava de estar no poder), mas FH, não. A eleição de Luiz Inácio foi um marco: sertanejo de origem, operário e pobre... Como esperávamos, ele pôs em prática ações sociais e preservou o que parece indispensável na economia. Mas manteve a sangria tributária, onerando sobremaneira a classe média, tributando salários. Os mais ricos do sistema, os banqueiros, continuam com os privilégios instituídos por FHC, o acemista. Com excelente jogo de cintura (ou, como dizíamos antigamente, “savoir faire”), Lula driblou os escândalos e elevou-se na preferência popular. Mas, sem se preocupar com a própria biografia, opina sobre o escândalo do Senado em defesa do “companheiro” Sarney, que não consegue explicar seus feitos corporativos e familiares contra o contribuinte. Tudo porque Luiz Inácio não quer que Marconi Perillo, seu desafeto, assuma a presidência do Senado e o PT não quer perder o apoio do PMDB para continuar na cumeeira. Enquanto isso, na torre ao lado, o Conselho de Ética da Câmara livra o deputado do castelo brega da cassação. Vão lhe dar uma pena leve, como não se candidatar a presidências de comissões. Não precisa: a comissão de seu gosto não é aquele grupo de deputados que analisa projetos, mas a parcela remuneratória ilícita que, no Congresso, é algo sem importância no quadro ético. No Rio de Janeiro, quatro estudantes morrem e seis ficam feridos em acidente com um veículo escolar ilegal. As autoridades locais não contêm o tráfico de drogas, o contrabando de armas, remédios e cigarros, como também não dominam as milícias. E a gente brasileira continua “falando de lado e olhando pro chão, viu?” (como cantou Chico Buarque há quarenta anos). Os povos de Portugal e das demais nações lusófonas ignoram solenemente o “acordo ortográfico”, mas o Brasil cuida de cumpri-lo, apesar da arrasadora maioria contrária. Se analisarmos bem, somente um segmento foi beneficiado com isso: os fabricantes e comerciantes de livros. E a nação, sacrificada com dois quintos (dos infernos!) de impostos, continua gastando, porque as autoridades agem na defesa do “bem maior”(conceito de Roseana Sarney sobre seu pai presidente eterno). No caso, o “bem maior” é a continuidade do enriquecimento sem limite dos que já são ricos o bastante. Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Blog:http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com |