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"Sabe Com Quem Está Falando?" Um caminhão enorme, transportando abacaxi, ao fazer o retorno na BR-153, em Aparecida de Goiânia, nas proximidades do Postão Aparecida, lançou ao chão grande quantidade de caixas. Passei por lá e vi uns vinte carros parados, seus condutores e passageiros saqueando a carga acidentada. Pisei mais fundo, e informei a Polícia Rodoviária Federal. O policial detalhou que já tomavam providencias. Os saqueadores continuavam saqueando, descaradamente, enquanto trabalhadores moviam a carga do caminhão acidentado para um outro. Resumindo: saquear a carga na ausência do responsável seria furto. Fazê-lo ostensivamente deve ser roubo (os motoristas e ajudantes dos caminhões não tinham como reagir à turba). No mesmo dia, descobri mais um crime, este contra o consumidor. Lembrei-me do homem do açougue ou da vendinha, que pressionava a balança com um dedo, transformando novecentos gramas em um quilo. E do balconista de armarinho que media noventa centímetros de tecido como se fosse um metro. O que eu soube esta semana foi-me mostrado pelo meu sobrinho Carlos Borges: vendedores de pequi usam uma lata de óleo (geralmente, 900 g) e dizem entregar “um litro” de pequi. Ora, gente! Pequi, tal como laranja e banana, devia ser vendido por peso, e não por litro, medida de referência para líquidos. Mas o furto (ou roubo, depende do modo como é praticado) é ainda mais cínico: dentro do “litro” que parece ser a medida do vendedor safado, há uma lata, embalagem de chocolate em pó, espiralada, que transforma aquele “litro” de pequi em algo parecido com a metade do que se diz vender. Cadê o delegado Edemundo? Ele e sua equipe da Delegacia de Defesa do Consumidor têm realizado um trabalho de realce, haja vista a apreensão de milhares de peças de roupas pirateadas em Jaraguá, entre outros. Certamente alguma autoridade determinará critérios para a venda de pequi. E esse critério, obviamente, seguirá o que se usa para todos os alimentos sólidos, do pão ao caviar, passando por legumes, cereais, frutas etc. Depois, essa gente que falsifica o que produz, rouba no peso e saqueia cargas, essa gente que presta serviços liberais de má qualidade (e, em boa parte das vezes, recebe antecipadamente), esses professores que fingem ensinar enquanto os alunos fingem aprender, esses policiais que recebem propina e montam milícias... Enfim, os maus trabalhadores que – dizem – são cerca de 5% de qualquer comunidade, posam de honestos para cobrar postura dos políticos. Gente! Políticos são pessoas comuns em quem confiamos o bastante para lhes dar nossos votos. E pessoas erram. E pessoas comuns podem saquear, roubar no peso, mentir conhecimento e ludibriar pessoas. E aí, se lhes dermos poder, o bicho pega! E para não isentar alguns importantes funcionários públicos, observem como um militar com estrelas nos ombros, um policial civil ou federal, um fiscal de qualquer coisa age quando abordado para mostrar documentos... por exemplo, a documentação do automóvel. Existem autoridades que sonegam o pagamento até do licenciamento de seus carros luxuosos por quatro, cinco anos... Só atualizam na hora de vender. Paro por aqui. Não preciso comentar nada. Luiz de Aquino (poetaluizdeaquino@gmail.com) é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras e escreve aos domingos neste espaço. Blog: hhtt p://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com |