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Enfim, toda a família Ainda não me acostumei… Todas as vezes que ouço alguém dizer "a era Obama", ocorre-me que está surgindo uma nova companhia de aviação: Aerobama. Não se fala em outra coisa.... Ou melhor, fala-se muito e de tudo, desde que tudo seja em torno da posse, que os americanos chamam de "inauguration", e um "cientista político" obviamente brasileiro (paulistano, para ser bastante preciso, com aquele sotaque de paulistano-acadêmico em momento de entrevista a uma emissora de rádio) usou como referência para demonstrar o nosso "atraso medieval". Segundo esse senhor, cujo nome felizmente não guardei, isso de "tomar posse" é retrógrado, leva o sujeito a pensar que é dono do cargo, etc... Ah, meudeusdocéu! A gente tem de ouvir tanta baboseira quando quem fala se escuda com um título acadêmico! Será que fomos nós, brasileiros, que "inauguramos" o G. W. Bush? Porque ele, sim, levou os EUA (e um leque de nações que lhe puxaram o saco) a cometer a guerra do Iraque. A maior democracia do mundo, que é também, do mundo, a maior economia e a maior potência bélica, a nação mais organizada e outros epítetos, foi ela quem pôs no poder, há oito anos, o sujeito que não venceu nas urnas. Depois, o povo, feliz por vencer no Iraque (quer dizer, por matar civis indefesos e militares mal equipados), decidiu eleger o homem. Ou seja, é como se ele fosse nomeado em comissão para um cargo brasileiro e, depois, só depois, passasse em concurso. Seguindo uma linha de raciocínio que sempre ouço de policiais e outros profissionais da área penal, sempre me pergunto a quem interessaria, diretamente, aquele famoso atentado de 11 de setembro de 2001. Pergunto a mim, e tenho a minha resposta; quando pergunto a outras pessoas, a gente acaba concluindo que só interessava (e bem-valeu) a George W. Bush. Isso é que é uma coincidência digna do tal de primeiro-mundo! Então? Parece-me que o primeiro mundo nem é lá tão adiantado assim... Afinal, só agora, em seu quadragésimo quarto presidente, puseram um negro no Poder, coisa que já acontece na África há milênios (juro! Ouvi isso num boteco, sim...). Voltando para cá, para o meu quintal, ou minha doce e encantada província (sem pejo, meus queridos, adoro a palavra!), entristece-me constatar que ainda não concluíram o decantado viaduto, com sua trincheira e a praça de conversão ao nível da rua. Comparo-o com a obra da Praça do Ratinho e vejo, sem dificuldades, que aquela se deu a contento, atende bem, soluciona o problema dos congestionamentos e foi inaugurada após concluída; a do Chafariz, não. Placas caem, as estruturas metálicas que formam aquele V invertido foram malcalculados e terminaram com uma ponta forçada, as vias de conversão registram congestionamentos graves (talvez se resolva com nova temporização dos sinais luminosos), o piso de asfalto não ficou bom (há vários pontos de remendos e o perfil está maldelineado). Concluo que faltou Mauro Miranda. A construtora, a exemplo da outra (a que fez a obra do Ratinho), tem história. Mas, como diz a canção, "não tem nada, tá tudo azul na América do Sul" e nos cones questionáveis. Uma igreja enorme, cujos dirigentes só querem dos fiéis as orações e o dízimo, fez remendos a que chamou de reforma, com fiscalização caolha pela Prefeitura de São Paulo; o resultado foi o que todos sabemos. Mas Obama foi emposs... desculpem-me, foi inaugurado. E com sua "inauguração", deram-se por findos os ataques à Faixa de Gaza, e os palestinos já contam muitas centenas de novos mártires, um terço deles (ou mais que isso), crianças. Não tem nada não, Obama é o homem mais poderoso do mundo. Nossos problemas se acabaram. Nada mais de dengue nem AIDS, nada mais de tráfico (de influência ou de drogas), nada mais de CD e DVD pirata, nada de se contrabandear armas e cigarros. Obama... Obama, Obama... Obama nas alturas e paz na Terra aos homens sem lastro (nem lustro)!
Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com -- |