Antiga manhã, aquela
À
porta da minha casa
um homem cantava modinhas
e era feliz.
Minha mãe torrava
café,
meu irmão andava cambaleante,
usava botinas e meias
e tinha ao pescoço uma chupeta
de borracha vermelha
que emitia um assobio – e nada mais
usava meu pequeno irmão.
Era manhã de sol,
manhã antiga
naquele ermo ao sul de Goiás.
Era
alegre a cantiga
de Antônio Cego, o preto
que cantava à porta.
Antônio Cego era um
homem feliz.
(Do
livro “Sarau”.
Goiânia, 2003)

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