Luiz de Aquino Alves Neto

Antiga manhã, aquela

 À porta da minha casa
um homem cantava modinhas
e era feliz.

Minha mãe torrava café,
meu irmão andava cambaleante,
usava botinas e meias
e tinha ao pescoço uma chupeta
de borracha vermelha
que emitia um assobio – e nada mais
usava meu pequeno irmão.

Era manhã de sol, manhã antiga
naquele ermo ao sul de Goiás.

 Era alegre a cantiga
de Antônio Cego, o preto
que cantava à porta.

Antônio Cego era um homem feliz.

 (Do livro “Sarau”. Goiânia, 2003)

 
Caldas Novas...

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