A polpa que apalpo
(dura), por fora,
é carne
e gordura a dar forma às nádegas
−
ancas sobre as pernas
andadeiras pernas sensuais
− guardiãs dos mistérios
anais
das tardes, noites,
manhãs de amor inteiro.
Navego teu corpo,
tal menino de antes
a correr pomares à cata
de frutas;
hoje, caço
putas inocentes;
mulheres morenas,
negras ou claras,
virtuosas. Transmudam-se
nas alcovas,
nos parques, no milharal...
(Houve o elevador,
o avião noturno, o
último banco
no ônibus quase vazio;
e o sacrilégio na sacristia
em
tarde morna, o padre
sonolento
a dormitar a
sesta).
Pomares
de adolescência, a corrida
atrás de Irene alva e rósea.
A pele tenra
feito casca de manga
madura, a manga rosa
dada em paga
antecipada
do amor infante.
Alcança. E toca. E tomba.
Cai a moça
jovem,
quinze anos feitos.
Peito arfante, cheio, túmido;
e os mamilos eriçados, túrgidos,
salientes sob o
pano claro
do vestido pobre.
Férias
de fim de ano,
quase Natal;
menino ginasial,
o dia à toa, menina-moça
com
tesão e charme. Os pés,
as frutas,
artelhos como
jabuticabas cheias,
peitos como
sapotis, densos.
As
uvas figurativas de seus mamilos
tenros.