Luiz de Aquino Alves Neto

Figuras frutas

 A polpa que apalpo (dura), por fora,
é carne e gordura a dar forma às nádegas
ancas sobre as pernas
andadeiras pernas sensuais
− guardiãs dos mistérios anais
das tardes, noites, manhãs de amor inteiro.

Navego teu corpo, tal menino de antes
a correr pomares à cata de frutas;
hoje, caço putas inocentes;
mulheres morenas,
negras ou claras, virtuosas. Transmudam-se
nas alcovas, nos parques, no milharal...

 (Houve o elevador,
o avião noturno, o último banco
no ônibus quase vazio;
e o sacrilégio na sacristia
em tarde morna, o padre sonolento
a dormitar a sesta).

Pomares de adolescência, a corrida
atrás de Irene alva e rósea.
A pele tenra
feito casca de manga madura, a manga rosa
dada em paga antecipada
do amor infante.

Alcança. E toca. E tomba.
Cai a moça jovem, quinze anos feitos.
Peito arfante, cheio, túmido;
e os mamilos eriçados, túrgidos,
salientes sob o pano claro
do vestido pobre.

Férias de fim de ano, quase Natal;
menino ginasial, o dia à toa, menina-moça
com tesão e charme. Os pés, as frutas,
artelhos como jabuticabas cheias,
peitos como sapotis, densos.

 As uvas figurativas de seus mamilos tenros.

 
do livro “
As uvas, teus mamilos tenros”, Goiânia, 2005);

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