Mãe
Tristes não, nem
saudosos. Alegres, talvez.
Apenas certos de
estender aos anos
alcatifas de
coroadas flores.
Não cúmplices, mas
pedaços
de uma vida, a
mesma, entrelaçados
por fecundo sêmen,
no estertor de legítimo gozo
de humores a fluir
com força:
momento de
evocar-me à luz.
À luz, à luz...Como
vim
e vi-me feito à
imagem
de Deus, dizem os
crentes;
do Homem, é o que
diz Deus.
Há, sim, o
entendermos-nos sempre.
Refazer das carnes
após o amor de hormônios,
multiplicar de
genes, gestar com paciência,
parir entre dores,
odores, suores
e as sempre
lágrimas.
Deu-me o plasma, e
o sorvi como a vida;
deu-me formas,
palavras, cores, paladares,
música, dimensões,
poesia
e o sentir,
que não se é poeta
impunemente.
De risos, lágrimas,
sucessos,
e de tristes,
felizes, esperanças
e de entes queridos
ou distantes,
a fé no verbo te
eterniza em mim.