Luiz de Aquino Alves Neto

Mãe
 

Tristes não, nem saudosos. Alegres, talvez.

Apenas certos de estender aos anos

alcatifas de coroadas flores.

 

Não cúmplices, mas pedaços

de uma vida, a mesma, entrelaçados

por fecundo sêmen, no estertor de legítimo gozo

de humores a fluir com força:

momento de evocar-me à luz.

 

À luz, à luz...Como vim

e vi-me feito à imagem

de Deus, dizem os crentes;

do Homem, é o que diz Deus.

 

Há, sim, o entendermos-nos sempre.

Refazer das carnes após o amor de hormônios,

multiplicar de genes, gestar com paciência,

parir entre dores, odores, suores

e as sempre lágrimas.

Deu-me o plasma, e o sorvi como a vida;

deu-me formas, palavras, cores, paladares,

música, dimensões, poesia

e o sentir,

que não se é poeta

impunemente.

 

De risos, lágrimas, sucessos,

e de tristes, felizes, esperanças

e de entes queridos ou distantes,

 

a fé no verbo te eterniza em mim.

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