Luiza Soares Benício De Moraes

Zumbi, Zumbindo...

Um quilombo...

Um banzo...

Um zabumba...

Um bombo...                  

        Num Maracatu

        Num batalhão de Henriques

        Contra um invasor

        Criaste raízes!

No samba enredo

Das grandes escolas

Ou sambando pobre

No samba de breque

        Vais enveredando

        Nesse passo lento

        Com a tua ginga

        Vais aculturando.

Se sobes o morro

Ou desces o mangue

O teu sincretismo

Tropicalizante...

Vai deixando um rastro

Bem impregnante...

 

Onde posso ver-te?

Já não te distingo isoladamente

És parte da gente...

Dessa nossa gente

Que se moreniza

P'ra ser mais latente

Que já tem no sangue

O teu jeito quente

Que absorveu teu modo

Tão benevolente...

Que busca coragem

No teu jeito forte

De quebrar algemas

Sem vingança, ou morte!

Luíza Soares Benício de Moraes Publicada no Jornal Universitário da UFPE, em junho de 1982.

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