Quando matas
De tuas entranhas a vida,
É a voz do amor que calas
A sucumbir desvalido,
No Universo a declinar.
Quando tu, sutil,
Entrega-te aos desejos,
Soberana de alma vil,
Acorrentas os ensejos
Nos teus planos a esquartejar,
Na dor do livramento
Sem sentimento,
Deixas escoar
A pequena existência,
Confusa...
Indefesa...
Vítima de tua inclemência,
Sangra a jorrar
O alívio que te conforta.
Que importa?
Não existe pesar.
Mãe! Assassina do broto!
Tu mataste num aborto,
O fruto do teu amar.
Malu Mourão