Malu Mourão

           Olhando da Janela
 

Do alto da montanha  se ostenta,
De um povo, a marca de uma vida,
Que na verdade em nada lhe contenta.
O vil poder que a muitos intimida.
 
Vejo a favela assim imperiosa,
Onde esconde sutil a incerteza,
De uma vivência às vezes duvidosa,
Que do morro faz parte da beleza.
 
Mas naquela hipotética comunidade,
Existem os sonhos e as decepções,
Que se misturam a cada realidade,
Mesclando de anseios as emoções.
 
Ali surgem  incógnitas impetuosas,
Onde a vida arquitetada na carência,
Entrega-se confusa às teias laboriosas,
Do escárnio prepotente da violência.
 
E no compasso da eterna esperança,
A comunidade no seu pensar latente,
Deseja ter um viver de bonança 
Onde a paz ilumine cada vivente.
 
Moradores da Rocinha, Sereno ou Fé,
Quitungo ou Complexo do Alemão,
Corôa , Caixa D'água ou Guaporé!...
Guardarei esta imagem no coração.


Rio de Janeiro,
03/02/2008
Malu Mourão

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