Chega uma saudade repentina,
Invadindo o meu pobre coração.
Busco enganar-me na rotina,
Escondendo do mundo a emoção.
Se no semblante há um sorriso,
Feito um esgar, fere-me a alma,
No peito implodir será preciso,
O silêncio que machuca e não acalma.
Submersa na angústia impertinente,
Onde as dúvidas e o medo sobrevêm,
Eu tento, num controle intermitente,
Esquecer as lembranças que me vêm.
E num grito que sufoco eu lamento,
A saudade do passado enganador.
E suplico afastar-se este tormento,
Que me agride cruel e sem pudor.
Era uma lembrança melancólica,
Vinda de um mundo tão distante...
Mas se foi como veio, assim ilógica,
A torturar-me tanto num instante.
Malu Mourão