Malu Mourão

Saudade
 

Chega uma saudade repentina,
Invadindo o meu pobre coração.
Busco enganar-me na rotina,
Escondendo do mundo a emoção.

 

Se no semblante há um sorriso,
Feito um esgar, fere-me a alma,
No peito implodir será preciso,
O silêncio que machuca e não acalma.

 

Submersa na angústia impertinente,
Onde as dúvidas e o medo sobrevêm,
Eu tento, num  controle intermitente,
Esquecer as lembranças que me vêm.

 

E num grito que sufoco  eu lamento,
A saudade do passado enganador.
E suplico afastar-se este tormento,
Que me agride cruel e sem pudor.

 

Era uma lembrança melancólica,
Vinda de um mundo tão distante...
Mas  se foi como veio, assim ilógica,
A torturar-me tanto  num instante.

Malu Mourão

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