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Mais um feriado, comemorado, com
alívio do cansaço de dar aulas, pelos sacrificados professores
de meu país. No seu Dia, o professor é lembrado e
decantado como fazedor de cabeças pensantes, como educador, ao
longo dos tempos. A TV enfoca os mais abnegados do interior, os
mais criativos de sala de aula, e tome de exaltar os mestres e
mestras. Nada de mostrar ao público índices altos de
analfabetismo, reprovação, repetência, evasão... Só se vê
criança lendo, escrevendo, criando...
Mas e o dia-a-dia da
vida de professor? De que jeito se comportam diante da violência
que assola o Rio de Janeiro e outras grandes cidades, ali bem
perto de sua escola? O que fazem para se virar com o aluno das
favelas, cercado de tiros por todo lado? Como convencem os
alunos a estudar, se o desemprego os espera ao final do curso?
Como se alimentam, moram, movimentam-se, criam filhos, com
salário sempre muito baixo?
“ Professor é um pobre
coitado que trabalha a vida toda pra morar de aluguel, e, no
máximo, ter um Fusca de segunda mão”. Eis a melancólica
definição de um colega meu, nos anos de 1980. Após ler notícias
semana passada sobre as mesmas reivindicações de sempre dos
professores do Rio Grande do Sul Maravilha, eu me pergunto:
mudou alguma coisa para melhor, na profissão que foi minha?
Sem dúvida, acabou a Era do
Fusca, bolado na Alemanha para o povo de menos dinheiro. Apesar
da tentativa meio louca do Itamar Franco, no início dos anos
1990, de ressuscitá-lo por ser mais barato. E agora? Qual será o
carro típico do professor? Certamente novo não é, pois o
problema do salário minguado persiste. E casa própria, com os
juros absurdos dos empréstimos, duvido que algum mestre possa
adquiri-la.
Tive um colega que chegou a
trabalhar em cinco escolas para poder sustentar a família.
Morreu de infarto fulminante no meio de uma aula, numa das
escolas privadas em que lecionava. Outro foi surpreendido por um
AVC, também na escola, e parou de lecionar com cinqüenta anos. A
mulher professora triplicou esforços: a aposentadoria do marido
no serviço público era ridícula e o que ele recebeu da escola
particular foi-se rápido.
Há muito que não ouço falar de
mérito do professor. Acho que desde os tempos do Colégio Pedro
II no auge da glória, repleto de alunos e professores da elite
intelectual brasileira - la créme de la créme. Fala-se,
sim, e muito, do quanto os alunos não aprendem, de quanto os
professores fingem que ensinam. Sobretudo,na escola pública.
Mas eu, não. Não caio nessa!
Fui, sou e serei sempre uma admiradora veemente do magistério
sofrido, vilipendiado de minha terra.
Quero poder gritar a plenos
pulmões, todos os dias: - Tenho orgulho de ter sido
professora
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Maria Lindgren |