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O texto de Luiz Maia sobre as
mulheres nos engrandece e comove, sem dúvida. Parece que esse
escritor forma com Ray Silveira a dupla de escritores mais
“mulheristas” que conheço. Ao construir seu Tributo à Mulher,
inspirou-se, provavelmente no refrão do velho samba dos anos
quarenta do século XX: “ Um homem, sem mulher, não vale nada”.
Releio a sinopse e o texto todo. Concluo que se trata de um de
um prosador apaixonado que, em tal estado, escusa dizer, não
consegue enxergar mais nada, se não o objeto de seu amor, no
caso, uma mulher.
Passo a refletir sobre os homens. Como se apresentam hoje, no
século XXI, os homens com os quais convivo? Se entrados em
anos, estão quase sempre com as mulheres primeiras ou segundas,
de suas vidas. Não raro, ouvem reclamações de todo tipo. Mulher
rabugenta é a pior raça existente:- Fala baixo, Arlindo! Estamos
na rua. – Olha pro chão, Jorge! Você acaba caindo! – Onde você
se meteu, Mateus, por que chegou tão atrasado?! Estou de saco
cheio.
Os
de meia-idade, se divorciados, tratam de casar logo ou voltam
para a casa da mamãe, coitados, por falta de autonomia, o que
não é culpa deles. Logo se desiludem com as pseudofarras
sonhadas durante o casamento. E muitos infelizes estão
desempregados, apesar dos diplomas e títulos. Basta conversar
com taxistas do Rio.
Os
jovens “ficam” ou namoram muito, até uma certa idade. Aos 26, 27
anos, procuram relação estável: casam-se. E aí vêm os filhos do
amor.Toca ajudar as mulheres, trocando fralda, empurrando
carrinho, perdendo noites de sono. Às vezes, gostam de cozinhar
e fazem pratos saborosos, apreciados pelas mulheres e pelos
amigos. Não mandam, nem são mandados: casais que se entendem.
Os
muito jovens, freqüentam com as moças as raves da classe
média ou da classe popular. Salvo no Carnaval, quando entram no
samba. Não diferença de comportamento: se bem formados, dançam,
divertem-se; se mal, cheiram pó, tomam bolinhas excitantes,
fumam maconha...
Eu lhes pergunto: serão os homens menos sensíveis porque não
receberam da natureza o dom da maternidade? E o que me dizem
ambos os escritores, Ray e Luiz, dos homossexuais de sexo
masculino, que adotam crianças e se tornam pais ou mães numa
boa? E os que homens que ficam com os filhos na separação? Não
se desdobram como as mulheres? Conheço vários casos e todos
criaram bem seus rebentos.
Serão mais felizes ou infelizes os pobres homens porque não
conseguem ter orgasmos múltiplos? Como se quantidade pudesse
substituir qualidade. Além disso, que culpa têm eles?
Acho que há homens e mulheres com alto grau de sensibilidade e,
felizmente, com grandes diferenças e afinidades em outros
aspectos, como força física, por exemplo.
Não
sou fundamentalista, Deus me livre! E se obedeci a alguns
homens, em minha vida de imatura, foi porque uma parte de mim
achava cômodo ser bem mandada!
Acho que os homens são insubstituíveis na produção da prole.
Proveta - que horror! Só em último caso, quando o homem é
infértil e o casal está doido para ter um filho. Ou a mulher
sofre de pavor do falo, caso de psiquiatra urgente.
Não
tenho queixas de machismo explícito. Minha profissão é feminina
e me orgulho dela. Penso que os professores homens não são
melhores do que nós mulheres, nem se consideram como tal.
Nas
demais profissões, a mulher a competência da mulher está sendo
reconhecida no país. Vide as ministras do Lula. É verdade que
ainda falta emparelhar com o gênero masculino na questão
salarial. Isso porque a sociedade brasileira continua um tanto
retrógrada. Mas, os homens as aceitam muito bem. Nunca vi homem
reclamar das colegas de trabalho. E a tendência é melhorar, a
cada dia.
Não
sou nem quero ser uma Condoleesa Rice, vergonha das mulheres
negras. Mulher no poder não tem lá muita diferença de homem:
torna-se mandona , às vezes, em demasia.
Gosto de ter um homem a pagar as contas dos restaurantes. Acho
um hábito cavalheiresco, que não precisa acabar. A não ser que
seja um colega de profissão mal paga ou que tenha perdido o
emprego, como há tantos, hoje em dia.
Não
sou ingênua. Sei dos homens que batem nas mulheres ainda hoje.
Até mesmo, as estupram. Mas, são casos de aberrações. Crimes e
maldade sempre existiram e provavelmente continuarão a existir.
Bem, acho que disse bastante do que penso em defesa do homem
moderno. Se me lembrar de mais algum ponto controverso, volto a
escrever. Especialmente aos caros amigos Luiz Maia e Ray
Silveira, ambos extremamente sensíveis.
Maria Lindgren |