Poemas

Magno Mello

Bolo de aniversário

Ninguém assistiria mesmo

sequer a teu próprio enterro

quanto mais ao da tua última quimera.

Pra que vagares a esmo?

Por que renegares o desterro?

O que é isso que teu rosto era?

Põe-te de pé,

homem sem nenhuma fé,

ergue a costela!

Vês a moça? Olha os lábios dela

e depois volta a ficar de joelhos

mira a tua face no espelho

e me diz se vale a pena

que sintas tanta pena

da tua própria miséria.

Não te faças de rogado:

se não te importa o passado,

que mais te importaria,

se nada te espera?

Por que mentir ao destino

e escapar da tua sorte?

Eu não te disse, tolo,

que a vida não viria

antes da morte?

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