Poemas

Pedro Cardoso Machado

MORBIDEZ

Não vou negar que estou chorando

E, reafirmo que não estou delirando

Ao desejar a morte a todo instante,

Para o meu eu inútil e desconcertante.

 

Peço a Deus que escarne o meu sofrimento,

Que dilacere os meus íntimos pensamentos,

Que me tenha como um entulho daninho,

Em seus momentos de desdém e desalinho.

 

As horas têm passado em mim, como fogo.

Queimando pouco a pouco meus desejos

Numa chama sem calor, num fogo sem jogo.

 

São momentos grotescos de um funeral

Que me levam ao infortúnio, quando vejo

No Espelho meu rosto funesto e visceral.

voltar