
Poemas
Nandinha Guimarães
Amor Confesso
Cerram-se
as cortinas do dia
Meus olhos, em conchas vazias
Adormecem abraçados à tua ausência
Abrigam-se onde perderam-se sonhos
O relâmpago da saudade atinge-me
Sorrateiro deita-se, invadindo-me
Lembranças cintilam entre flocos de nuvens
És ainda vida desperta, em meu leito torpe
Faminto, alimenta-te dos meus delírios
Passeias entre minhas vértebras, infiltra-te
Levito na brisa cúmplice dos amantes
Recortas imagens, colhe-me da solidão
Montas meus segredos, quebra-cabeças de desejos
Cobre-me com teus cheiros, sândalo inebriante
Toca-me usando teus apelos e olhares
Cioso da tua fertilidade em mim
Flutuas na imensidão dos meus templos sagrados
Carícias febris, frementes abrem meu céu
Profanas minhas decisões e negativas
Revogas incondicionalmente meus atos
Arbitrariamente maculas minhas certezas
De novo entrego-me, pecando contra mim...
©
Nandinha Guimarães
Em 10.09.00