
Poemas
Nandinha Guimarães
Vivências
É
momento do recolher das conchas.
O mar sacudido pelo frêmito das ondas
Abraça atrevido o cheiro dos corpos
Que em suas águas tremeram
É
momento de guardar soluços
Que ressoam nas lágrimas das marés
Enquanto um lenço bordado de saudade
Repousa esquecido no cais
É
momento de deixar o olhar à deriva
A tristeza a secar-se no colo do sol
Ainda que no silêncio dos lábios
As palavras cristalizem-se sem ar
É
momento da memória em vigília
Ardendo sob o sal da espera.
Segredos entrelaçados em dedos mudos
Acalentando a espuma das horas
É
momento de modificar rotas
Como o vento a desalinhar margens
Enquanto erma, a paisagem se fecha
Lambendo os passos já sepultados
É
momento de baixar âncoras
E contemplar a curva do tempo
Até que arrebatada do peito
A dor caia em sono profundo...
©
Nandinha Guimarães
Em 24.05.01