Neusa Padovani  Martins

Descoberta

               Descobrir outro mundo não é um fato intrinsecamente imaginário, mas sim uma questão do momento e da oportunidade que se faz imperante. Quando o ato da descoberta acontece, nem sempre estamos presentes e muitas vezes estamos  até mesmo ausentes, como se pairássemos por sobre um mundo novo, imensurável e desconhecido.  Tem sido assim desde sempre com  quase todas as descobertas que os seres fazem neste mundo. Muitas são as vezes em que nem percebemos que descobrimos algo novo. Nem sempre estamos ligados nas ocorrências presentes. Muitas são as vezes em que o acaso é o verdadeiro pai de uma descoberta.

               Como estará nossa realidade num momento tão íntimo como este, o da descoberta de um novo mundo? Estaremos envoltos em densas nuvens que encobrem nossa percepção do que vem a ser liberdade? Estará nossa intelectualidade em sono latente à espera de ser despertada pela expansão de nossa liberalidade?

Estará nossa realidade obscurecida pelo manto negro dos hábitos incongruentemente instalado em nosso cotidiano? Ou pelo asco do preconceito destruidor? Ou pelo inconformismo que mata as nossas mais ricas fontes de amadurecimento intelectual?

              O que fizemos nós para permitir que o “ter” sobrepusesse o “ser” desta forma tão pungente? Como permitimos que o “Tornar-se” acabasse se transformando em um postulado vazio e desconexo de nossa realidade, infelizmente hoje, quase sempre tão virtual ? Onde estará a resposta para tantas perguntas?

              Estará ela em nossos longos, cansados, e vazios debates filosóficos? Em nossa fala enfadonha e amortecida , sem qualquer traço de aventura intelectual? Em nossa sã e rica literatura? Em nossos vagos conflitos ideológicos? Em nossas atitudes frente à realidade, quase sempre virtual?

              A quem devemos culpar, pelas portas fechadas por dentro, a sete chaves, que habitam  cada um de nós, seres antagônicos e socialmente enquadrados em tantos vieses? Onde encontrar as respostas pela insensibilidade que povoa o mundo em que vivemos , e sobrevivemos, como seres formadores de opinião? Como escolher e designar como sendo os melhores  caminhos que devemos trilhar ?

              Todas as respostas, todas as possibilidades, todas as causas e todas as buscas encontram-se naquilo que vivemos e que construímos . As respostas estão onde sempre estiveram, dentro de nós mesmos.

              Que a palavra não divida, mas que una e construa.

              Que ela não oprima, mas que liberte e desperte para um novo viver.

              Só assim e desta forma, poderemos formar uma sociedade que seja antes de tudo uma comunidade

 de verdade, que seja antes de tudo um meio de tornar-se pessoa capaz de fazer com que “ser” seja vital e essencial.

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