
Poemas
Naldo Velho
Luz
Por favor acenda a lâmpada,
Se não puder, acenda a lanterna,
Também serve à luz de vela,
É que eu quero ver o seu rosto,
Me embriagar com a nudez do seu corpo,
Depois, quero esquecer as minhas mãos
Apaziguadas em seus seios.
Quero me embaraçar em suas teias,
Quero as suas presas
Enterradas em minhas veias,
Te alimentar com o meu sangue.
Quero morder os seus lábios,
E beijar o seu pescoço,
Quero a sua boca,
Quero sugar sua língua,
Beber seu suor, sua saliva,
Quero todas as coisas indecentes
Aquelas próprias entre dois amantes,
Quero olhar dentro dos seus olhos,
E te ver ter muito prazer
Ao ver toda a casa em chamas,
Por filetes em brasas espetados,
Por marcas viscerais, profundas marcas,
Destas que nunca mais vão cicatrizar.
Por favor, não deixe escurecer
Mantenha a vela acesa,
Não permita que surja o pecado,
Não deixe renascer o passado,
Nem permita que o futuro nos leve
Para algum lugar longe daqui,
Onde só restarão as lembranças
E os nossos cortes não cicatrizados
Que volta e meia vão arder,
Vão sangrar, vão doer.