
Poemas
Naldo
Velho
Quero
lhe dar um abraço
Quero
lhe dar um abraço
Mas que seja apertado
E num beijo molhado
Saborear os seus lábios,
Desalinhar seus cabelos
Embaraçando-os
Com os meus cabelos.
Quero o suor do seu corpo
Com o suor do meu corpo
Numa mistura de cheiros e gostos:
Vinho tinto e rascante
Vinho branco...
Suave e doce.
Quero castiçais sobre a mesa
Num jantar para nós,
Quero uma flauta travessa
A desafiar um piano,
Música suave e ambiente
Pois são muitos os planos,
Alguns deles segredos,
Sussurrados, safados,
Tramam por seu colo quente,
Por suas sardas vadias,
Por sua pele branca,
Minha suave agonia.
Suas mãos me concertam
Vértebra por vértebra.
Olha a lua brotando
Por entre os seus lençóis,
Melhor reter o momento,
Não se mova, só respire...
Deixe que o pulsar do seu corpo
Ao reter dentro de si
O meu corpo
Nos leve ao delírio
Das coisas feitas sem pressa,
De tão esperado desejo
Por este abraço apertado,
Por poder lhe explorar abusado
Por todos os cantos e lados,
Por tantos espaços e fendas,
Por dobras, recantos molhados.
Após adormecer em seu colo,
Depois acordar abraçados
Pela noite afora largados
E então recomeçar...
Tudo de novo !
Até que o dia amanheça,
Se levante e venha assustado
Avisar-nos que já é hora
De acordar deste sonho.
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