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Nasci em Simonésia, uma cidade minúscula perdida em Minas gerais. Mamãe conta que éramos tão pobres que vim ao mundo e não tinha o que vestir, o parto de mamãe foi feito em casa por minha saudosa madrinha. Meus pais deixaram a casa pobre na roça e vieram para o Rio, como muitos tentar a sorte, eu tinha na época três anos de idade e minha irmã três meses. Chegamos com uma mão na frente outra atrás, pois até a mala que trazíamos foi roubada,fomos todos para casa de meus avós maternos, num morro da Vila Operária em Duque de Caxias, hoje favela da Vila Operária. Papai conseguiu um emprego de lavador de ônibus e mamãe costureira, costurava muitíssimo bem. Com o tempo conseguimos comprar uma casa ao lado da casa da vovó, pobrezinha caindo aos pedaços literalmente. Vovó mudou-se para a rua de baixo e fomos juntos para que minha casa pudesse entrar em obra, ser reconstruída. Lembro-me que queria participar da escolinha local, a escolinha da D. Noêmia, mas era muito pequenina, assim mesmo fugia com qualquer pedaço de papel embaixo do braço, nem sabia que alí começaria o meu amor pelas letras. Tudo muito difícil, mas a minha infância era de brincadeiras com poucos brinquedos, quase nenhum e muita, muita vontade de brincar. Corríamos, pique bandeira, chicotinho queimado, esconde-esconde, pique lateiro, brincadeira de roda e vai por ai.Quando chegavam as férias e podíamos, meu pai nos levava a Minas para visitar meus avós paternos, ah! Eu adorava, tinha uma ligação muito forte com eles,adorava aquele lugar. Não conseguia entender direito, mas me perdia olhando a natureza, os pássaros, o pequeno regato que corria atrás da casa, acho que eu era meio diferente dos outros, ninguém ligava para isso. Este deslumbramento me fez começar a escrever, falar de Manhuaçú, das ruas, da rua Aimorés, das casas, enfim comecei a relatar tudo em forma de poesia, mas não sabia.No ginásio participava de concursos, escrevi no caderninho de poesia da escola e lia quando podia ter livros. Lembro-me que mamãe pode comprar um livro que foi pedido pela escola, teria que fazer uma prova e trabalho, "Sem Família"...Li três vezes, grossão, mas eu adorava!.Quando tinha uns doze para treze anos escrevi um caderno de poesias, que perdi no tempo, no meu caminho.Quando terminei o primeiro ano do segundo grau parei e fui trabalhar, secretária de eletrônica, empacotadora, balconista. Voltei aos estudos com ajuda de minha sacrificada mãe e terminei o segundo grau técnico de enfermagem aos 21 anos. Conheci muita gente necessitada nesta época, muito mais que eu...muito mais.Hoje retorno aos estudos, cursando pedagogia, querendo fazer letras,psicologia, um montão de coisas ao mesmo tempo.