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BARCOS DE PAPEL

Textos em Prosa

Diógenes Pereira de Araújo

Parei de Fumar. Foi Assim

Largar de Fumar é Bom

DEPRESSÃO!!!!!!!! SOCORRO!!!!!!!!!!!

Amazônia e Pantanal. Áreas Internacionalizadas?!

Diógenes Pereira de Araújo

Meu "curriculum" é pequeno: Advogado - sem exercer no momento -, aposentado do Banco do Brasil, escrevo poemas. Pronto. Está aí. "Curriculum", palavra latina, significa originariamente: corrida, carreira. Assim, ao invés de noticiar a carreira que vivi, vou falar da carreira que pretendo viver, ou seja de meus propósitos, de meus sonhos e aspirações.

Freqüentemente, quase diariamente, tomamos conhecimento, através dos meios de comunicação de acontecimentos marcados por crueldade tão grande que é acima até de nossa capacidade de compreensão, tanto assim que alguns os qualificam de animalesco e outros de selvagens. Pergunto: Quantas vezes já dissemos? Agora não falta mais nada..., e uma outra notícia nos diz que estávamos enganados, que faltava algo de cruel para acontecer. Algumas pessoas aplicam adjetivos que qualifiquem  ou desqualifiquem? - os praticantes de algumas monstruosidades de "animalescos" ou de "selvagens". Injúria, difamação ou calúnia.

Nem animalesco, nem selvagem. Tais comportamento não podem ser qualificados como animalesco porque o animal não pratica a crueldade. O animal não é dotado do livre arbítrio, assim como os seres humanos. Os animais não matam os que são da mesma espécie, sob poucas exceções,. Os animais não caçam nem pescam por prazer, mas somente para conseguir matar a fome. Quando os animais pescam ou caçam eles consomem totalmente a presa abatida.

Os referidos comportamentos também não podem ser chamados de selvagens, pois os selvagens têm aspectos culturais, acrisolados através de milênios de fundamentação, de convivência que os fazem, em aspectos, superiores aos chamados "civilizados".

Vale aprofundar um pouco estas últimas reflexões, trazendo comentários a respeito do selvagens sioux norte-americanos.

 

VIDA SELVAGEM

"Nos seus oito anos, ela era a mais velha de seis irmãos e tinha responsabilidade sobre os mais jovens, enquanto os pais se ocupavam do cultivo do solo. Uma sua amiga, da reserva sioux, do outro lado da estrada, tão logo teve oportunidade veio lhe contar a grande novidade: 

- Também tenho um irmão!

As duas correram para o interior da barraca de lona. O alvoroço e alegria das duas crianças soava como barulho: provocou medo para o recém-nascido e estalou sua reação natural: o choro.

A mãe segurou delicadamente o narizinho entre o polegar e o indicador e, com a palma da mão, tapou a boca. Fez o choro cessar... Quando a criança começou a debater-se pela falta de ar a mãe afrouxou a pressão, mas só um pouco e, ao sinal de mais choro ela repetiu a operação: tapa nariz e boca.

Enquanto isso cantarolava baixinho uma "canção de crescimento" indígena.

A menina branca já percebera que as amiguinhas índias não faziam escarcéu ao se machucarem. Choravam baixinho.

Desde cedo os selvagens ensinavam aos recém-nascidos a mais importante lição da secular sabedoria indígena, a de que a ninguém se permitia por em perigo a vida ou sobrevivência do povo, seja por denunciar a algum inimigo, emboscado, a localização do grupo, seja por espantar uma caça que poderia vir a ser alimento de inverno para toda a tribo.

Um dia a menina branca perguntou à avó da companheirinha se não haveria crueldade naquela prática.

- Você jamais verá uma mão se erguer para punir uma criança indígena.

A menina branca já havia observado os rostos severos dos sioux quando, irados, seus pais batiam nos filhos.

- Cruéis são os brancos. Tratam os filhos como tratariam a inimigos: subornando, punindo e mimando com frágeis brinquedos. As crianças assim tratadas crescerão dependentes, sujeitas igualmente a acessos de raiva incontrolável dentro do ambiente familial e jamais atingirão a maturidade. 

Os índios evitavam qualquer excesso de proteção aos jovens ou favoritismo.

Quando o bebê índio começava a engatinhar e se aproximava do fogo permitiam que se queimasse uma primeira e única vez. Assim aprendia a guardar a distância necessária desse perigo e nunca mais esqueceria a lição.

O bebê índio com seis semanas já nadava, antes de aprender a andar. A mãe sabia que a habilidade de nadar era própria de todas as crias: do cachorrinho, do bufalozinho, do potrinho e da criança igualmente.

A menina branca também viu como a religião permeava toda conduta. A primeira baforada do cachimbo do conselho e o primeiro bocado de comida de cada refeição eram oferecidos ao céu, à terra e aos quatro ventos, juntos às Grandes Forças nas quais o homem e a natureza estão unidos em fraternidade.

Num Domingo de manhã a menina branca foi ao riacho apanhar água. Quando ia se abaixando para apanhá-la ouviu um cântico indígena e rumorejo de água mais abaixo. Um índio jovem lavava uma camisa azul. Tirava-a da água e a erguia para o céu. Depois baixava-a em todas as direções, com o ritual com que se consagrava o cachimbo e a comida. Afastou-se. Mais tarde o jovem passou a cavalo, trazendo no corpo a camisa azul lavada. Ele ia à Missa na missão, com uma camisa consagrada, segundo o velho ritual, às Forças do mundo.

Quando as coisas não corriam bem, a causa não seria a ira sobrenatural e sim porque o povo e seus chefes não estavam fazendo unidade com as Grandes Forças. Para retornar ao bom caminho os homens iam jejuar em lugares elevados, na expectativa de receber orientação.

O índio era um homem livre porque aprendeu desde cedo a disciplinar-se, um homem feliz por poder dar conta de suas responsabilidades uns para com os outros e para consigo mesmos como parte integrante, intrínseca e bem orientada que é de sua comunidade, membro de uma fraternidade vasta o bastante para abarcar toda a humanidade.

Não é de se admirar que pessoas que conviveram com os índios tenham aceitado suas divindades, ainda que de maneira distorcida, sem aceitar a disciplina construída através de gerações, através de necessidades impostas pela sobrevivência. Aceitaram quando tinha uma revelação melhor: a judaico-cristã. O problema é o referido: falta de auto-disciplina dos "civilizados".

Os indígenas, como povo, davam testemunho de suas divindades. Isto os cristãos não souberam fazer como comunidades, mas somente como pessoas."

Uma vez que certos comportamento não podem ser chamados de animalescos e nem de selvagens, pergunto: qual seria uma denominação mais correta para tais indesejáveis comportamentos de que -a contra-gosto - tomamos conhecimento?

Antes de responder, gostaria de declarar meu entendimento, no sentido de que os animais são dotados de alma e corpo, enquanto os seres humanos são dotados de espírito, alma (psique ou mente) e corpo.

No meu entender os animais são também racionais. Eles não caem duas vezes no mesmo buraco, ao contrário do ser humano, nem se queimam uma segunda vez no fogo. Não vou me adiantar aqui a dizer que sejam também espirituais, mas afirmo que eles não podem pecar, ao contrário dos seres humanos, pois não têm livre arbítrio.

Os selvagens também não pecam por não terem noção do pecado, mesmo porque eles têm um comportamento sobre o qual, o menos que podemos dizer, é que seja ecológico. Têm comportamentos errados também.

O ser humano tem ou poderia ter ou deveria ter consciência do mal que pratica. Esse mal, como se percebe, é contrário ao bem. Tudo que o ser humano pratica e for contrário ao bem, a cuja prática o ser humano está chamado, merece o nome de diabólico, no seu sentido original, qual seja: de ser oposição ao bem.

 

MEUS PROPÓSITOS - 2

As pessoas conhecem e sofrem com a situação do Brasil: divisão de bens de maneira inequitativa, ineficiência governamental, corrupção, escalada da violência, a opressiva dívida externa, etc.

A Nação norte-americana é um país do primeiro mundo, enquanto o Brasil é um país do terceiro mundo. Há muitíssima ascendência sobre nós em vários aspectos, mas também lá, há muita coisa errada e muitos comportamentos corrosivos que escapam ao controles das instituições e das pessoas. Em 1991 conversei com uma amigo lá residente, pessoa de alto tirocínio intelectual e espiritual. Ele me informou sobre um conhecido que ministrava aulas em uma escola primária onde havia 33 crianças, nenhuma das quais conhecia o pai ou sequer sabia quem fosse.

Na década de 1990, em comparação com as duas anteriores, os Estados Unidos tiveram aumento de prisões por prática de crimes violentos; as prisões de adolescente por estupro dobraram; os homicídios cometidos por adolescente quadruplicaram; o número de suicídios entre adolescente triplicou e também triplicou o número de menores de quatorze anos vítimas de homicídios.

Haveria outras mazelas a trazer aqui. Meu propósito aqui é primeiro este: alertar que mesmo nosso modelo norte-americano não vai indo tão bem como seria de se esperar e desejar, o que demonstra que o poderio econômico-financeiro não é absoluto para criar oportunidades de vida realizada, realizadora e feliz para todos. A primeira liberdade, a liberdade econômica eles têm, mas não tem todas liberdades que deveriam se seguir à liberdade econômica.

Se nem lá existem tais bens, que pensar do Brasil? Está sem futuro?, como já afirma muita gente? desesperançada? sofrendo por isto e com isto?

Todas as pessoas e cada uma delas se constitui numa célula e, como tal, com aptidão para influenciar o conjunto das células da Nação, assim como a vida de cada pessoa começou com a fusão de duas células invisíveis.

Importa reiterar que todos e cada um de nós tem a seu alcance produzir talentos e serviços para melhorar o Brasil. Cada um de nós vêm de duas células invisíveis.

O ideal seria que cada um de nós passássemos por uma transformação profunda.

Penso que, se um grande número de nós passarmos por uma melhora, todo conjunto há de melhorar e até se poderá gerar uma reação em cadeia que, a final, resulte em grande bem: um maremoto, no bom sentido. O maremoto é produzido pela soma dos pequenos ventos a partir da costa oposta ao lugar onde ocorre.

Como fazer?

Castro Alves acreditava na eficácia da distribuição de livros para motivar o país a melhorar:

Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia
E manda o povo pensar
O livro caindo n'alma
É germe - que faz a palma
É chuva - que faz o mar

Sua intenção é louvável. Louvável mas impraticável. Seria difícil distribuir milhões de livros e mais difícil ainda que os brasileiros, hipnotizados como estão por diversões, por TV, saíssem de sua comodidade para ler, refletir e tomar decisões.

Penso que, com poemas, se poderia por em prática o sonho de Castro Alves.

Ele mesmo, com seu poema "O Navio Negreiro", conseguiu acelerar a consciência anti-escravagista.

Houve o caso de um livro que exerceu igual e acentuada influência: o romance A Cabana do Pai Tomás, romance de Harriet Beecher Stowe, nos Estados Unidos.

Note-se: publicou-se no sistema de folhetins, ou seja, o equivalente da novelas na época. Os tempos eram outros, o país era outro e a diversão era esta mesma: a leitura, em pequena quantidade periódica do folhetim.

O poema, além de seu pequeno porte, os meus na maioria das vezes, cabível na tela do monitor, possui também outras vantagens, por exemplo: assim como as palavras cruzadas, se constituem os poemas numa atividade lúdica com a palavra, com a diferença de o poema ofertar um sentido de texto, o que não acontece com as palavras cruzadas.

Enquanto a solução das palavras cruzadas busca palavras insubstituíveis, o leitor do poema vai observar que o texto se compôs de palavras necessárias.

Algumas insubstituíveis até.

Toda poesia é inspirada, tem por autor imediato, ou por co-autor o Espírito Santo. Esta afirmação pode parecer ousada mas é verdadeira, assim como é verdadeiro afirmar que a mão que empunha o revólver é sustentada por Deus, pois "nele nos movemos e somos".

Os poemas são criações e realizações dentro da integridade do ser humano: espiritual, intelectual e corporal.

Ao escrever meus poemas evito difundir idéias que não sejam convenientes à formação do ser humano, a sua integração tríplice.

Após os debates de um congresso, concluiu Alexander Macara, presidente da Associação Médica do Reino Unido, que, para combater a depressão e a ansiedade a leitura de poemas é mais terapêutica e infinitamente superior a qualquer comprimido. Rev. Cláudia, pág. 13, maio/94.

Ao escrever meus poemas tomo o cuidado de ter presente essas afirmações para que possam ser aptos a produzir os resultados desejados, possíveis e esperados.

Meu propósito é opinar não sermos prisioneiros de nossas realidades, sejam nacionais, familiares ou pessoais. Tudo pode mudar, pode melhorar, desde que queiramos e que busquemos os caminhos para isto. Existe um caminho à espera de ser construído, caminho de respeito, de realizações, de empatia, etc.

Talvez sejamos prisioneiros do medo? medo de ser pessoa? medo de quê?

Será que estaríamos mimados pelos meios de comunicação? acomodados?

MEUS PROPÓSITOS - 3

Muita gente experimenta, ainda hoje, um sentimento de perda grande pelo massacre dos povos indígenas, seja do Brasil, de que se tomou conhecimento em criança pelas aulas de História, seja dos povos indígenas dos Estados Unidos, de que se tomou conhecimento pelos filmes de faroeste.

Os povos selvagens tinham percepção da necessidade de se defender, buscaram se defender, preservar sua cultura, suas gente, mas seus conhecimentos e suas forças foram insuficientes para o fazer: não dispunham dos meios aptos para o fazer: para enfrentar a arma do branco. Eles não sabiam "o como" se defender.

Suspeita-se que o povo brasileiro sofra ataques, invasões de várias modalidades.

Os países dominadores impõem suas crenças e cultura e língua para subjugar outros.

Não sei como dizer: se quando duas civilizações ou se quando duas culturas se encontram, a mais forte acaba por assimilar ou destruir a mais fraca.

O choque de valores, de interesses e outros é inevitável.

Os meios de implantar e depois de suplantar podem ser perceptíveis e/ou camuflados.

Luís Marins nos acena com um convite, um desafio e um projeto irrecusáveis: "Acredito que seja o momento de passarmos de uma consciência ingênua para uma consciência crítica sobre o momento atual brasileiro."

Se de um lado inexiste um ataque por armas contra a Nação Brasileira e os nacionais, por outro lado há fatores indesejáveis seja nas instituições governamentais, seja na população, seja na suplantação da exportação pela importação, seja a invasão da própria mente dos nacionais.

Sun Tzu, pensador e general chinês, século IV A.C. afirmou que " a maior glória de um

general não consiste em alguma manobra brilhante e capaz de imprimir ao inimigo tais e tantas perdas que ele se veja na contingência de render-se. A maior glória consiste, continuou Sun Tzu, na obtenção da vitória, sem luta, pelo esvaziamento, no inimigo, da vontade, do ânimo, para defender-se, para reagir".

Bens brasileiros de várias ordens têm sido atacados e dominados. Seja em conseqüência de pagamento dos juros de dívidas externas, seja em conseqüência de aquisição de bens exportados, no nos sujeitamos à evasão de capital.

Os lares e as mentes brasileiras têm sido invadidas por programação de TV instigadora de violência, de destituição das famílias, de comodismo: quando as pessoas são condicionadas à passividade, a uma falsa capacidades de opção, a ter um conceito distorcido de si próprio, por ver gente da pior espécie na TV: o desfile de bandidos, de prepotentes na TV, levando as pessoas, inconscientemente a pensar: afinal existe gente bem pior que eu. Muito raramente a TV apresenta filmes, novelas e programas onde se ressalte o esforço para se superar ou para superar os desafios da vida.

A TV se defende informando apresentar ao povo o que o povo deseja.

"Não é porque as coisas são difíceis que nós não ousamos. É porque não ousamos que as coisas se tornam difíceis". Sêneca, filósofo romano.

Venderam-se as principais estatais e os 50 bilhões de dólares da transação serviram para honrar o pagamento lá fora de juros extorsivos o capital estrangeiro adquiriu a maioria das empresas de médio porte para cima, uma vez que as empresas bancárias cobram juros extorsivos de empresas acossadas pelo leão, os presídios são insuficientes para uma criminalidade sempre crescente, gerando um sentimento tétrico de insegurança nas pessoas. O sistema educacional, melhor dizendo instrutivo, deixa a desejar: doentes morrem em macas em corredores pois faltam leitos aos hospitais ou tarda o atendimento, a corrupção navega tranquila, a máquina governamental incha cada vez mais.

Tudo isso e algumas coisas mais não consegue destruir a índole pacífica, amável, alegre e acolhedora do povo brasileiro, mas precisamos voltar os olhos para a taxa de desemprego, para o estado famélico de grande parte da população, para a violência doméstica não só por atos mas também por palavras.

Precisamos fugir do ufanismo e também do pessimismo, aprofundar a noção e participação de cidadania, evitando a passividade, provocada ou favorecida pela TV; o desânimo; o "deixa como está para ver como é que fica", isto tudo sem cair no "patriotadismo" cego norte-americana, nem criando típicas Klux klux klan, nem dando ensejo a posturas maccarthistas.

Por causa de aberrações deste tipo penso que o caminho melhor parte da formação, da educação do indivíduo, tarefa assumida por todos e por cada um.

Castro Alves acreditava na distribuição de livros, Monteiro Lobato entendia também que a formação de uma Nação se faz com homens e com livros.

Recebi de um companheiro de lista a seguinte opinião: "Essa citação de Monteiro Lobato: "Um pais que se faz com homens e com livros", para mim é somente metafórica. Minha sogra é quase analfabeta, mas não conheço outra pessoa com o nível de bom senso e educação maior que o dela. O fato de não ler não lhe faz falta alguma. Ela conversa com você na segunda pessoa do plural, sem cometer nenhum erro. E se você ler algo para ela - por ter uma atenção incrível - discute bravamente suas idéias! Quantidade de livros não educa ninguém."

As pessoas analfabetas, de fato, podem ter uma sabedoria maior que pessoas alfabetizadas.

Carlos Magno era analfabeto e Maomé também.

As pessoas analfabetas freqüentemente memorizam princípios, valores, critérios para boas escolhas, bons pensamentos.

A Internet, agora, fornece milhões de informações, mas não se atenta ao fato de ser necessário haver uma seleção de tais informações, o que não aconteceria com um analfabeto, pois sua capacidade de memorizar se aplica em memorizar o que valer mais a pena.

Quanto se for partidário do "deixa como está, para ver como é que fica", aparece o desânimo; quando se identificam os problemas – desafios – e se busca a solução a pessoa fica animada, com maior motivação para viver.

A frase:

"O MELHOR PRODUTO DO BRASIL É O BRASILEIRO",

de Luís da Câmara Cascudo se escreveu no pavilhão

BRASIL 500 ANOS.

Esse autor produziu um conjunto de obras apto a servir de base aos que se dedicarem a identificar as raízes da cultura brasileira.

Câmara Cascudo foi às fontes primárias de

nossa cultura, ao folclore, habilitado por sua

erudição e pelo conhecimentos dos clássicos.

Ao buscar caracterizar o valor de nossa pátria, não quis ressaltar os recursos naturais, nem nossa indústria emergente, etc. mas considerar o nacional: "o melhor produto

do Brasil é o brasileiro".

O brasileiro, de fato, é acolhedor, generoso, criativo, hábil em se adaptar e sobreviver nas situações mais hostis.

Que falta ao brasileiro?

Ter em conta suas características e suas qualidades e aprofundar um pouco mais estas, num ritmo sustentável.

Os índios, apesar de maior cultura que nós,

foram destruídos pela cultura e civilização

do colonizador. Lewis Mumford escreveu:

"Os bens do homem nascem diretamente das suas necessidades vitais e sociais, antes mesmo que ele tenha elaborado as formas culturais e os valores pessoais que alargam o domínio daquelas necessidades na vida e asseguram a sua continuidade".

Problemas tais como a elevado índice de desemprego, o elevado nível de tributação e o aumento do lucro dos bancos, em detrimento do detrimento e da falência do povo prenuncia A derrocada do Nação brasileira e dos brasileiros não está sujeita a um fatalismo, com o qual nos devemos conformar.

Podemos fazer algo a respeito.

Uma vez que reconheçamos nossas necessidades poderemos descobrir a maneira de as suprir.

Podemos descobrir uma luz na caverna escura e uma vez descoberta essa luz caminhar em direção dela.

Acredito termos maior potencial para diagnosticar as ameaças, os males de nosso pais que os índios e também maior capacidade de comunicação, na busca coletiva de objetivos aceitáveis, esclarecidos e sustentáveis.

Nossos tambores serão a Internet.

Quanto à seletividade de princípios e valores, penso que se possa fazer algo com poemas, tendo em vista ser um texto literário de tamanho reduzido, mas denso de sentido, pois aqueles que mais precisariam ler não vão deixar de investir seu tempo em acompanhamento de esporte e nem as mulheres em deixar de ver novelas. Um poema, contudo, por ser pequeno poderá ser o começo, poderá ser o ingrediente a dar gosto a uma maior sensibilização e educação de si mesmo. Tanto melhor se o poema for dotado de ritmo; tudo que tem vida pulsa com ritmo. O fato de conferir as sílabas de um poema e suas sílabas tônicas induz a um envolvimento corporal (dos dedos e da voz, se lido em voz alta), do intelecto e do espírito, sendo, por isso mesmo, um envolvimento integral do ser humano. A oferta de poemas é infinitamente menos agressiva que a proposta de luta armada para resolver situações de injustiça no tocante a oportunidades e participação dos bens e serviços de uma coletividade.

Tanto no plano pessoal quanto no plano nacional importa-nos ter consciência de nosso valor, de nossas qualidades, mas também de nossas fraquezas e de nossas deficiências e estarmos dispostos a buscar melhor desempenho e melhores perspectivas.

Talvez venhamos aperceber estarmos a sofrer um massacre, tal qual os silvícolas, ou, pelo menos, de estarmos perdendo oportunidades.

Se cada um estiver a fim firmar-se de na maneira de viver que escolher _ "direito de cada um" -, buscando favorecer somente os próprios interesses – exemplo derrubar as matas amazônicas para implantar pastos -, sem querer dar-se ao incômodo e ao trabalho de ver os interesses e as necessidades da maioria, nem buscar caminhos adequados, sob os pontos de vista da ecologia, do bem coletivo e da moral, por certo que nada há de melhorar, mas de ir de mal a pior.

Há necessidade de reflexão e de recolhimento para – no mínimo – conhecer e saborear o próprio ser.

A magnitude e a proximidade da aldeia global, a imposição de novos conhecimento e tecnologia poderão, antes de nos oprimir, fazer de nós condutores de um mundo pelo qual, até agora, temos sido sempre conduzidos.

Precisamos estar informados e formados para discernir as conseqüências de fatos e idéias, não só para os contemporâneos e próximo, mas também para os longínquos, os que estão por vir, se é que vamos decidir e agir no sentido de que o mundo deve seguir adiante ou morrer, evoluir ou perecer, prosperar ou definhar.

Estarmos atentos à amplitude nacional, mas vigilantes ao indivíduo, a nós, a cada um de nós.

Pensar no que escreveu Agostinho da Silva:

"Este se queixa do País como se tivesse alguma idéia de todas as suas conexões com a história dos homens, e suas causas e seus efeitos; como o que queixasse do sal ou da pimenta jamais tendo provado comida. Pois cure cada um em si próprio os defeitos que no País achar e talvez que o País se corrija, se é que está mal."

Nosso Medo, escreveu Nelson Mandela  "Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida. É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: - Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso? Na realidade, quem é você para não ser? Você é filho do Universo. Se você se fizer de pequeno não ajuda o mundo, não há iluminação em se encolher para que os outros não se sintam inseguros quando estiverem perto de você. Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós, está em todos nós. Conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. Quando nos libertamos do nosso medo nossa presença automaticamente libera os outros" Livre-se dos seus medos e vá ao encontro da sua tão sonhada FELICIDADE!!!"

Assim se expressa a Carta aos Romanos:

"... a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade – não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou -, todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." cap. 8, 19-21.

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