Poemas

Leila Míccolis

PENA DE MORTE

Eram bastante bons

aqueles tempos de ódio,

em que planejávamos nossos assassinatos,

pelo simples prazer de nos vingarmos:

eu te via com os dedos na tomada,

tu me vias sufocada pelo gás.

Tempos em que sorrias ao atravessar a rua,

e eu achava graça em ser atropelada;

tempos em que queríamos fazer um filho,

para espancarmos juntos,

nos dias de ócio;

em que eu te servia de escarradeira,

em vez de cozinheira e passadeira.

Depois, veio o amor,

que é como um lenço em que se assoa,

ou mãe que chicoteia e nos perdoa.

Hoje afago-te as corcovas

e lustro-te as botas novas.

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