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Mar
Vânia Moreira Diniz
Página 200
Nasci vendo o mar em toda a sua extensão e ele me fascinava pelo tamanho infinito, impressionante em seu mistério escondido, fabuloso porque encerrava segredos inatingíveis eu me perguntava: O que é o mar?
Tinha medo e
atração incomensuráveis desse gigante e olhando longamente como sempre ficava
hipnotizada, para mim era um deus das águas que ali fazia sua morada, e
contemplava extasiada, petrificada pelas ondas que se movimentavam. E eu me
perguntava: O que é o mar?
Muitas vezes
quando já era noite fechada e a escuridão imperava, passando por suas areias
brancas e macias, que afundavam os pés, sentia a espuma que se desdobrava
violenta em ondas de igual vigor.
E em muitas
oportunidades testemunhava a calmaria que se lhe apoderava. E eu me perguntava:
O que é o mar?
Ficava feliz
toda vez ao compreender o tesouro que encerrava esse colosso, que parecia ser
algo muito além de nossa natureza compreensível e formal, apreciando o verde
azulado, transformando-se continuamente em cores mil, ansiava por andar sem
espaço e tempo certo naquele manto que cobria a natureza.
Eu me
perguntava: O que é o mar?
Um dia,
estando eu a cismar como muitas vezes acontecia, os olhos perdidos e vazios,
veio um sábio que eu conhecera na infância e que me muito me ensinou.
Disse-me que
o mar eram os elementos que existiam dentro e fora do universo, que se
misturavam para ensinar-nos a sua língua estranha em caracteres e som mavioso e
também encerrava o interior de todas as pessoas que amava e por ele tinham
respeito.
Nunca mais me perguntei: O que é o mar? Mas comecei
a indagar: Quem somos nós?
Vânia Moreira Diniz
Página 200
Novembro 2008