E-book da Escritora Cristina Moreira Safadi "Escrevo"
Prefácio
Vânia Moreira Diniz
 

Falar de minha irmã é  ao mesmo tempo alegria e emoção, ternura e reconhecimento, sentir as lembranças de nossa infância e adolescência, olhos nos olhos, que vieram conosco no tempo e no espaço. Mas no momento meus sentimentos não importam quando me orgulho de apresentar para todos o primeiro consistente e deslumbrante trabalho literário solo de minha irmã Cristina Moreira Sáfadi

Sempre admirei a capacidade de minha irmã com os estudos, especialmente na matemática. Ela não o fazia por obrigação, mas por um dom, que eu cedo aprendi a reconhecer. Ao mesmo tempo o seu amor pela leitura desde pequenina deixava-me feliz porque eu sabia o quanto isso influenciava minha própria vida, que era uma leitora compulsiva e não podia viver sem ter nas mãos um livro que devorava com sofreguidão.

Cristina escrevia bem, mas sempre imaginei que seu grande pendor era a matemática e por isso mesmo se formara em estatística. Mas à medida que o tempo passava e eu presenciava ela escrever sobre qualquer assunto num português perfeito e com a facilidade de expressão que me entusiasmava ficava refletindo a escritora que ela poderia se tornar. E isso eu acompanhei sempre, dia a dia de sua existência, nas nossas conversas e infindáveis verdades que me transmitia muitas vezes enlevada, outras almejando descobrir os mistérios que a vida se nos apresentava.

A autora mesmo disse em um de seus escritos:

“Não acho que a matemática tenha me facilitado apenas a vida profissional.
Levo-a com muito carinho, pois ela se tornou um legado de meu pai. Lembro-me com que desenvoltura desenvolvia suas teorias. Ele era advogado e não economizava no envolvimento da matemática para facilitar a exposição de suas idéias.”

Cada vez mais eu observava que seu raciocínio pleno era transmitido para suas observações e percebia como as ciências humanas lhe interessavam a ponto de concluir o seu brilhante curso de pós-graduação em educação.

Insisti muito para que Cristina me enviasse escritos para que publicasse em meu site e depois de algum tempo ela mesmo sentiu necessidade disso. E o fez com sucesso, mas só há mais ou menos três anos eu percebi nela a necessidade do verdadeiro escritor e também o amor com que se dedicava à escrita de uma maneira regular e intensiva. Ela sempre possuiu o dom, porém não se apercebia o quanto era capaz e talentosa. Isso acontece nos verdadeiros artistas. Por ser tão natural transmitir a alma em suas composições tudo é instintivo e natural sem análises premeditadas.

Cristina lançou-se realmente encantando por meio da escrita como já havia conseguido com sua inclinação matemática e publicamos juntas um livro eletrônico “Raízes” dedicado a nossos pais e muito próximo à morte de nossa mãe.

Nesse ínterim foi levantado seu site e ela então sentiu a literatura de forma integral unindo-a ao seu vasto conhecimento objetivo.

Este livro que seus leitores e amigos vão ler é seu trabalho solo, a concretização de uma necessidade profunda e o grito de seu coração agora independente para as letras, esses caracteres ou símbolos magníficos que nos fazem escrever ou ler, mas transportam-nos a um mundo maravilhoso, de descobertas, sonhos e consciência.

Emocionei-me ao ler seu livro quando ela me mandou em e-mail e pude sentir a magnífica poetisa natural em que ela se transformou elaborando, burilando e lapidando seus belos cantos de poesia, reflexões que também são frutos de uma observação apurada.

Cristina sente o mundo e a vida com suas tristezas, alegrias, momentos, o mistério da morte, a vibração da vida, o amor e a ternura que explode de seus poemas maravilhosos.

Seu livro “Escrevo” foi a forma que ela encontrou de extravasar sua paixão pela escrita, principalmente quando diz:

“Escrevo

porque assim,

não minto,

não omito.


Escrevo

porque leio

minha alma,

no recôndito.

 

Escrevo,

porque sinto,

emoção na pele”,


E depois numa saudade doída, uma confissão ao irmão que se foi há poucos anos, transformando em realidade o título de seu livro:

 

“Nunca te falei, meu irmão

Como era bom observar

Teu sorriso franco e aberto

Tua visão que tinhas de mim.

 

Nunca te falei, meu irmão,

Que em criança na velha casa,

Ficava a espreita aguardando

Teus jovens passos na escada.”

 

 

E assim a poetisa caminha com alma em sussurros ou gritos muitas vezes metaforicamente procurando na semente a vida, falando da mãe cuja saudade ela transforma em versos e de todos os momentos em que sua alma seduzida, alheada ou vibrante passeia pelos sentimentos, encara a existência por vezes complexa e deposita nas mãos dos leitores um exímio monumento de poesias. “Escrevo” transmite suas sensações sedentas, retiradas desde os primeiros anos de existência em verdadeira apoteose do viver “no comunicando” sempre cada vez mais inspirada e deleitando-se com a fé na literatura que esteve sempre em seu coração.

 

Em outra composição concluindo o livro ela ainda com relevância emocional fala do escrever;


Somos um pouco de ti,

As letras.

Que narram tua vida,

Rompem teus limites.

Às vezes,

Tu nos perdes
E nos buscas.
Na angústia de criar.”

Poderia citar outros flashs de seus cantos, mas prefiro que o próprio leitor o faça com a curiosidade natural de quem ama a leitura e a poesia.

Seu primeiro livro solo é um grito de alma, misturando dores e alegrias e definições poéticas da alma desde os primeiros tempos de seu viver, sentindo sem dizer o primordial que foi sendo depositado e adquirido desde criança e depois transformados no “Escrevo”.

“Escrevo” se expandirá para os outros livros que naturalmente já estão em sua imaginação e que eu sinto em cada momento de convivência, nos instantes que conversamos e perscruto o encanto íntimo que ela transforma em versos ou prosa, sempre no fascínio do escrever.

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