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Podemos dizer que a vontade é o combustível, melhor ainda, a energia que permite deslocamento, pois sem ela teremos um indivíduo apático, inerte e que aos poucos vai “implodindo”; podendo se valer de diversas formas para isso: da depressão a compulsão ou até o desejo de não mais viver. Hoje sabemos que não só a energia está em todo lugar, preenchendo o espaço infinito do Universo, como a informação também se encontra disponível em qualquer espaço de nosso planeta. O que determina a utilização desta energia e informação é a capacidade de captá-la e dirigi-la na direção desejada. Temos então os dois elementos básicos que conjugados tornam-se nossos maiores aliados na arte de viver. O desejo e a Intenção. O desejo é produto de atenção, catalisa a energia vivificando o próprio desejo porque permite a duração, a permanência desta energia. O desejo é o abrigo que armazena energia para a realização. A intenção direciona o desejo, cria, transforma, na verdade organiza a realização do desejo. Não é tão difícil percebermos isso. Basta que observemos o seguinte: tudo a que damos atenção parece desenvolver e prosperar. Se estivermos com a atenção concentrada em algum assunto, não raras vezes, nos surpreendemos por nos chegar à mão um livro que trata exatamente do assunto em questão; ou podemos assistir um filme que nos dá alguma informação importante; por vezes “do nada” encontramos um especialista no assunto. Enfim, a própria atenção que gera o desejo, revitaliza-o de tal forma a delinear com exatidão a intenção e esta sai a nosso auxílio, em meio a esta rede de informação que subaz a natureza. Vai estimulando movimentos que desembocam em situações como citamos anteriormente, nos permitindo realizar os desejos. Erradamente se tem a impressão que é coincidência, quando na verdade trata-se de um resultado científico, que podemos chamar de sincronicidade. É preciso entender que na natureza tudo se interliga, e que esta rede, na qual a vida esta inserida contém a energia e informações de tudo que precisamos saber. O oriental tem um ditado que me agrada sobremaneira, pela clareza e simplicidade com que coloca uma verdade indiscutível. “Quando o aluno está pronto o mestre chega.” Podemos entender isso quando fazemos algumas considerações no tempo. O avião, o telefone, a luz elétrica, a internet, tudo esteve sempre disponível na natureza. Em qualquer tempo poderiam ter sido captados os conhecimentos e colocados em prática. O que determinou a época em que tudo isso ocorreu, foi o surgimento de mentes que tivessem a percepção aguçada, e através de experimentos e conhecimentos, descobrissem a lei pertinente ao assunto e como funcionava. A partir daí, a utilizasse a favor de sua intenção. Claro que exigiu maturação e requinte na evolução mental, para que despertasse a atenção e consequentemente, despontasse o desejo. O desejo canalizou forças para que se investisse tempo, estudo, esforço, até conquistar a intenção que desejava. Mas foi preciso que o Homem estivesse maduro, apto a descobrir algumas coisas e as desvendasse aos poucos. Isso nos é alentador, pois vamos nos conscientizando de que tudo esta ao nosso entorno e o que se espera de nós é que afinemos nossos instrumentos para nos beneficiar das leis, descobrindo como lidar com elas e colaborando com o coletivo, já que nada neste planeta tem sustentação no individual. Quanto mais nossa intenção for abrangente, tanto mais parece ganhar força no desejo e isso também parece que é efeito desta consciência cósmica que a tudo permeia e protege. Há muito mais bondade, virtude, amor espalhado pelo mundo do que as pessoas parecem pensar. O que acontece é que não se dá atenção a este aspecto, não nos detemos a buscar algo nesta direção, e assim não o trazemos para nosso campo da consciência. Diria que a desatenção é um mal da época. Somos tão estimulados em nossa vontade, que ela se enfraquece e dá lugar ao instinto apenas, que é algo sem continuidade. Mesmo se repetindo compulsivamente, não promove deslocamento algum, pois é mera repetição, tornando-se condicionada a tal ponto que nem a percebemos mais. O consumo é a expressão da vontade instintiva, que abraça indistintamente o que lhe surge à frente e o estimula no momento. Deixa um ônus considerável, porque enfraquecendo a vontade, o desejo torna-se frágil e não sustenta a composição da intenção. Mas é justamente a intenção o poder que move o desejo, que o fortifica e o mantém vivo, o direciona e vai lhe dando forma. A vontade quando recebe nossa atenção, transforma-se em desejo. O desejo difere da vontade porque ganha da consciência, elementos que a percepção distingue do instinto e a torna mais “sofisticada” em termos de qualidade. O desejo cria a intenção, e aqui é interessante uma reflexão. Tanto a vontade como o desejo em si, são atributos da natureza e instintivos. Assim, não exigem elaborações de idéias ou consciência do conhecimento que lhes são próprios. Quando a inteligência entra em ação, quando passamos a analisar e exercer a escolha em nossos desejos, então sim, ela transforma-se em intenção. Para encerrar acho pertinente ressaltar um detalhe, que me parece fazer toda diferença e que nos dá uma noção mais prática do que estamos falando. Uma vez que entendemos como se desenvolve o processo da realização, devemos ainda ter em mente algo importante. A intenção está direcionada para o futuro, e isso é fácil compreender, mas ela é produto da atenção, como já vimos, e a atenção é acionada no presente. Estando a atenção no presente a intenção se realizará, pois o futuro é criado no presente, onde a energia atua. Daí o famoso conselho em viver no “aqui e agora”. A sabedoria popular deve ser olhada com atenção, porque muitas vezes traduz conhecimento do consciente coletivo, e podemos estar perdendo algo que nos ajudaria muito em nosso procedimento. Quanto mais vivo o desejo, quanto mais queimando no fogo do entusiasmo, mais fortalece a intenção. Daí o grande cuidado, pois esta lei da natureza se cumpre seja lá qual for o conteúdo do desejo, e as intenções ao se realizarem serão atos que produzem efeitos e, como um bumerangue, retorna a quem os praticou. Assim o cuidado que devemos ter quanto a direção que nossas intenções tomam. Se do Bem ou do Mal. Vale a pena pensar sobre isso. Jac. 08/03 Priscila de Loureiro Coelho |