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Aventuras De Um Pedestre |
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Penso que todos deveriam estar atentos ao dia a dia, pois é rico em situações dignas de nota; às vezes engraçadas, outras pitorescas, algumas são verdadeiras lições e assim por diante. Hoje vou deixar para vocês algo diferente. Uma conhecida minha, em tempos de começo de vida, corria muito, e sempre a pé. Não tinha carro na época e curtia com seu bom humor as peripécias diárias como um autêntico andarilho da vida! Há poucos dias, conversando com ela, passei algumas horas agradáveis ouvindo suas aventuras de tempos que já se vão. Rimos muito e ao voltar para casa, revia as imagens que foram criadas em minha mente, enquanto acompanhava a narrativa de tão deliciosa pessoa. Antes de me deitar naquela noite, sentei-me no computador e deixei que as imagens tomassem forma no mundo das letras. Vejam vocês o que foi que surgiu. Eu e o Pé! Somos velhos conhecidos Convivendo em simbiose Somos até parecidos ... Semelhança por osmose!
É ele que me conduzAonde vou trabalhar Sinto ser dele uma cruz Que ele tem que carregar...
Às vezes, um tanto cansado Recusa-se a me agüentar Faz uma cera o danado Querendo um pouco folgar.
Meu rítmico de vida é ligeiro Ele tem que se esforçar Há um mundo, quase inteiro Para ele caminhar...
Sempre que posso, eu peço - Agüente firme amigão Se não, de repente eu tropeçoE lhe sobra a luxação.
Certa vez, em correria De uma escada escorreguei Pobre dele, que ironia. Torceu-se... E eu gritei!
Mas no fim deu tudo certo Confesso que não me importei Concordo que não foi muito esperto E eu nunca mais me curei.
Assim juntos prosseguimos Um ao outro escorando Por vezes nos consumimos Mas vamos sempre tocando...
Toda noite, após a jornada O descanso merecido! Sinto-me um pouco culpada Sentindo-o tão dolorido...
E para o consolar Digo que amanhã sossegarei Nada me fará andar Quieta, inerte, permanecerei!
Mas ele sabe a verdade Minha triste condição Pedestre não tem vontade Tem mais é que ganhar o chão...
Ele enfrenta o inevitável Com orgulho e seriedade Este aliado incansável É minha maior amizade...
Se briga comigo ele fica Indócil sob o calçado Não dou trato à sua fita ... Mas vou mancando um bocado!
Porém dá tudo certo Voltamos a nos entender Procuro um banco por perto ... Que possa nos socorrer!
Sei que ele é bem teimoso Rebelde e temperamental Planta-se numa pose de orgulhoso ... Sempre que eu estou na horizontal!
Assim, eu e meu pé Conformamo-nos com a sorte... Por isso, se Deus quiser Nos apoiaremos até a morte! Priscila de Loureiro Coelho |