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Compulsão De
fundo de quintal. Sou
um agente inflacionário da escrita, Um
gerador pletórico de letras: Letras
belas, letras feias, letras ilegíveis; Produzo
escritos como o mar, ressacas; Crio
frases como o sol a pino, calor; Fabrico
sentenças aceitáveis, Algumas
até mesmo agradáveis, Mas
também escrevo baboseiras Como
no “estro brutal das bebedeiras”, Do
qual falava em versos memoráveis O
gênio mal lembrado de Bandeira. Às
vezes escrevo coercivamente Sobre
a fala <i>non sense</i>
dos idiotas A
linguagem ininteligível dos loucos, A
idéia fixa dos obsessivo-compulsivos, A
luxúria promíscua dos lascivos, As
aberrações chocantes dos tarados, O
lugar comum dos imbecis, E
o desespero dos desesperados. Para
mim pouco importa o que ajunto: Na
coerência, na gramática ou no assunto, Contanto
que a fábrica nunca pare De
produzir palavras, letras, frases Porque
sempre foi este o meu destino E
só me decidi a isto um tanto tarde, Embora o pressentisse desde menino. |