Raymundo Silveira

Concluindo...

          Como as águas, contornei os obstáculos;

          Como o vento, atravessei todas a fendas;

          Como a luz, iluminei espaços tenebrosos;

          Como o ar, ocupei todos os vácuos;

          Como o sol, abrasei com meu calor

          Cada porção de um gélido coração.

                  
Das vitórias (que foram poucas)

          Esqueci todas as glórias;

          Com as derrotas (que foram muitas)

          Aprendi a suportar tormentos.

          Nunca logrei esquecer as injustiças,

          Mas perdoei a quem as cometeu.

         
          Fiz da gratidão o meu legado;

          Da franqueza, o meu escudo;

          Da lealdade, a eterna companheira.

          Dos milhares de quedas que sofri

          Me levantei de todas, embora

          Sem a ajuda de uma mão amiga.

         
          Valeu a pena? Não! Acho que não!

          Talvez minh’alma fosse por demais pequena.

          Olho pra trás e só enxergo névoas,

          Olho pra cima e só distingo trevas.

          E à minha frente diviso imenso abismo

          Onde mergulharei na imensidão do nada.

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