Raymundo Silveira

Dona Chantagem X Sêo Dedo Duro


Bom dia, dona Chantagem, como tem passado?

- Não muito bem, seu Dedo Duro... o mercado anda parado, parado...

- Como se pode andar parado, dona Chantagem?

- O senhor sempre com as suas gracinhas...

- Não são gracinhas. É que hoje dedurei um cara e quebrei a cara...

- A cara? Que cara? A sua cara ou a cara do Cara?

- Lá vem a senhora com os seus trocadalhos.

- Sim. Meus trocadalhos. Mas não são do carilho, ouviu? Não são do carilho!

- Tá bom... chega. E como andam, ou melhor, estão as suas atividades chantageanas?

- Infelizmente, péssimas, seu Dedo Duro. Não tenho ganhado nem para o aluguel.

- Como assim, Dona Chantagem?

- Como o considero meu amigo, vou confessar. Quando o senhor dedura um Cara e eu sou chamada para dar o troco, não tenho mais coragem de agir. Estou ficando velha. Não sou mais a mesma dos velhos tempos...

- Isso é muito bom, Dona Chantagem. Muito bom mesmo. Continue assim! Continue sempre assim! (Essa idiota. Mal sabe ela que só facilita a minha vida.)

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"A literatura é uma das possibilidades da felicidade humana. Sou feliz quando escrevo e penso que posso dar um pouco de felicidade aos leitores. E quando digo felicidade, não estou me referindo a uma felicidade beata: felicidade pode ser exaltação, amor, cólera..." 
(Julio Cortázar

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