Raymundo Silveira

O Carnaval Dos Sentimentos

Num carnaval de sentimentos, todos se fantasiavam de cada qual. Uma desconfiança travestida de amizade se aproximou de uma caridade.

 

- Como estás bem de caridade. Ninguém desconfia quem tu és. Vamos brincar de descobrir quem somos... Me dá uma pista e eu te dou outra.

- Não vim aqui para descobrirem quem sou. E não me interessa saber quem tu és. Sou a caridade e isto basta.

- Pronto! Me deste não só uma pista, mas a tua identidade completa: és o orgulho. Prazer, sou a desconfiança.

- Sim, acertaste. Mas duvido que descubras quem é a verdadeira amizade com a qual estás disfarçada.

- Ora, é muito fácil. De que a amizade se disfarça? Basta saber...

- Aí é onde está o x do problema. De que se disfarça a amizade?

- Cheu ver... vixe. É mesmo. Probleminha complicado...

Neste momento passou uma falsidade.

- Poderia ser esta.

- Correto. Mas não é só. Se fosse, seria muito fácil. Esta falsidade pode muito bem ser uma mentira, um ódio, ou até mesmo eu. – Disse a desconfiança.

- E se perguntássemos àquele ódio. Ele pensa que engana. Não tenho dúvida de que, na verdade, é um despeitado.

- Oi ódio. Dá uma dica. De que está fantasiada a amizade?

- Oi, boa noite. Ora, só pode ser de interesse... Passou por mim agora. Aquele disfarce não me engana.

- Não é. Já perguntei a ele. É o amor. Disse uma infidelidade que estava próxima e escutara tudo.

- Olha: uma ilusão. Vamos perguntar a ela. Oi ilusão quem tu és?

- Sou a esperança. O que querem.

- Saber de que a amizade está disfarçada.

- Sei lá. Por que não indagam àquela saudade.

- Sim. Estou de saudade. Mas, na verdade, sou o adeus. Não tenho a menor idéia... Que tal se informarem da verdade? É a única que pode responder.

- Cadê ela?

- Cadela?

- Não! Falei cadê ela. A verdade.

- Ora se nem Jesus Cristo soube responder quando Pilatos...

- Piadinha velha... Deve estar cercada de admiradores. Mas não deve ser difícil encontrá-la. Está fantasiada de engano ou compaixão. Olha só, lá vai ela. Hei, verdade!

- Como descobriram quem eu sou?

- Ora, quem poderia estar simulando engano senão tu?

- Tá bom o que querem.

- Nada muito difícil, basta dizeres de que está disfarçada a amizade.

- Impossível, minha gente amiga. A amizade jamais freqüentaria um baile como este. Ela nunca se fantasia.

 

28/04/2006

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