Raymundo Silveira

O Sentido da Vida

“Nascer, crescer, viver,

Pra quê?

Minha vida não tem finalidade,

Não tem sentido, é só futilidade

Sou um ser/não ser

Sem nenhuma utilidade”.

Assim falou o niilista.

 

 

E os discípulos com ele concordaram

Mas vieram pândegos e contestaram:

“Por que falas assim, ó niilista,

Não vês que a vida é feita para se gozar,

Beber, comer, foder, e descansar

Em companhia dos que riem?

‘Carpe Diem’.”

 

 

“Amigos,

A vida por aqui não vale nada

É uma passagem, é uma revoada,

Depois da morte vem o Paraíso,

Então vivamos só em função disso:

Jejuando, meditando, contemplando!”

Disse um velho místico.

   


“Qual o quê!

Viver é desfrutar a juventude

Só se vive enquanto há saúde

Sem elas a vida não tem nenhum sentido,

A velhice, portanto, é um castigo!”

Disse um jovem atrevido.

 

 

Um sábio ancião ouvira tudo,

Permanecendo todo tempo mudo;

Depois de refletir um pouco enfim falou:

“A vida tem finalidade, sim;

Quem diz que não, merece ter um fim

Imediato.

Pois além de louco e de insensato

É um eterno sofredor.

Tampouco se nasce para usufruir

Prazeres hedônicos e destruir

O próprio corpo.

Vivemos porque temos esperança,

Os mesmos ideais de uma criança

E acreditamos no porvir

Mesmo que o nosso fim seja amanhã.

Não importa fortuna ou juventude vã

Nem se neste mundo se tem sorte,

Ou que tudo se acabe após a morte.

Quem diz que a vida não tem nenhum sentido

Há muito já devia ter morrido

Porque a vida tem sentido, sim.

Mais do que isto, ela tem uma função:

A função de se viver é a CRIAÇÃO!

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